ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 07/12/2020
A constituição federal de 1988, prevê em seu artigo 6º, o direito a lazer como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a democratização do acesso ao cinema no Brasil, dificultando deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante disso, é fundamental a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Precipuamente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o difícil acesso ao cinema. Nesse sentido, a população das periferias e interiores do país não encontram condições financeiras para frequentarem os cinemas que na maioria das vezes ficam presentes em shoppings nas grandes cidades e apresentem um valor não acessível em seus ingressos. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social” , já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o lazer, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que existem poucos cinemas espalhados pelo Brasil. Segundo uma pesquisa feita pelo IBGE, 90% das cidades no Brasil não apresentam cinemas. Diante de tal exposto, o aprendizado que pode ser transmitido nas telas, a cultura e o convívio social que esse entretenimento disponibiliza não atinge grande parte da população, sendo em sua maioria de baixa renda. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Dessa maneira, é imprescindível que o Ministério da cidadania junto com a secretaria da Cultura, desenvolva um projeto em parceria com as empresas cinemáticas para que inaugure salas de cinemas nas regiões mais pobres das capitais e nos interiores do país, além de disponibilizar um preço mais acessível para aqueles de baixa renda, com o intuído de levar conhecimento e lazer para uma maior parte da população. Assim, se consolidará uma sociedade mais democrática, onde o Estado desempenhe corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.