ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 08/12/2020
A Constituição Federal de 1988, documento de maior hierarquia no Sistema Jurídico do país, assegura o direito ao lazer a todo cidadão. Conquanto, tal prerrogativa, na prática, não tem se manifestado com eficiência quando se observa a falta de democratização do acesso ao cinema no Brasil, impedindo, dessa forma, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, vê-se que a negligência governamental e o alto preço do ingresso favorecem esse quadro.
Primeiramente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais na disponibilização do cinema a todos. Nesse sentido, salas de cinemas, em sua maioria, não tem equipamentos necessários para que deficientes possam ter proveito dessa arte, tal como fone especiais para autistas e legenda em todos os filmes para dar suporte a pessoas com problemas auditivos. Essa conjuntura, segundo o pensador contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o lazer, o que infelizmente é evidente no Brasil.
Outrossim, é fulcral apontar os altos custos como impulsionador desse cenário de falta de acessibilidade. Segundo o filósofo Karl Marx em “O Capital” , o preço de um produto é determinado pela sua oferta e procura. Quanto maior a busca de uma população por uma produto, bem como uma menor quantidade desse disponível ao mercado, mais caro será esse item. Nessa lógica, é notório que os elevados custos do ingresso do cinema deve-se a falta de espaços para reprodução em comparação com o interesse da população em consumir essa arte. Dessa forma, grande parte da população não consegue desfrutar desse meio, dado os elevados custos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Desprende-se, portanto, a necessidade de democratizar o acesso ao cinema. Para isso, o Ministério da Cidadania deve, por meio de parcerias com empresas privadas, construir mais salas de cinemas e incluir equipamentos inclusivos - como mais assentos para cadeirantes, fones especiais para autistas, legenda em todos os filmes e interprete de libras- a fim de diminuir preço do ingresso pelo aumento da oferta e possibilitar o acesso a pessoas deficientes. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, em que o Estado desempenha corretamente o “Contrato social”, tal como afirmava Locke.