ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 10/12/2020
O artigo 6° da Constituição Federal assegura o direito à educação, à saúde e à cultura- o que inclui o cinema. Porém, a realidade difere muito da Legislação. Dessarte, a democratização do acesso ao cinema não ocorre no país , por causa da desigualdade socioeconômica e da falta de reinvindicação do corpo social.
Em relação à desigualdade, observa-se que há uma segregação nesse acesso. Nesse sentido, consoante o sociólogo Jessé Souza, a meritocracia forma um subcidadao e, com isso, ele não tem acesso à educação, à saúde e à cultura de qualidade. Desse modo, nota-se uma elitização do cinema, pois, devido aos altos custos, grande parte da sociedade não pode frequentar tais locais. Dessa forma, a segregação sociocultural está presente na sociedade brasileira. Assim, é essencial formular políticas de inclusão na cultura, para que o subcidadão, descrito pelo sociólogo Jessé Souza, passe a ter acesso ao cinema.
Quanto à inércia da população, vê-se que ela fomenta a disparidade do acesso. Nesse viés, de acordo com o historiador José Murilo de Carvalho, a sociedade brasileira possui déficits econômicos e sociais por não participar ativamente das decisões governamentais. Dessa maneira, o Estado não fornece políticas públicas que favoreçam a maioria da população, como na problemática em questão. Outrossim, segundo o educador Paulo Freire, a cultura é essencial para a formação de indivíduos críticos, já que o cinema é uma ferramenta que possibilita o contato com importantes problemáticas contemporâneas. Logo, é imprescindível que os problemas socioculturais sejam resolvidos para que os preceitos do educador Paulo Freire sejam seguidos.
Diante dos fatos, infere-se que é de suma importância combater os gargalos sociais e governamentais para garantir o pleno acesso ao cinema no Brasil. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de renúncia fiscal e parcerias com cinemas, fornecer sessões nas escolas, para democratizar o acesso a esses conteúdos. Em segundo lugar, o Ministério da Cultura deve, por intermédio de parceria publico-privada com patrocinadores de filmes, diminuir os custos das entradas no cinema, garantindo, assim, a igualdade de qualidade de vida, como propõe o arquiteto colombiano Enrique Penãlosa. Ademais, o Poder Público deve construir novos cinemas em cidades de médio e pequeno porte, por meio de parceria com Empresas Sociais, para possibilitar o acesso e gerar empregos, assim como o economista Keynes fez durante a crise de 29. A partir dessas ações, espera-se que os direitos da Constituição sejam seguidos e garantidos.