ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/12/2020
Parafraseando o filósofo Friedrich Nietsche, temos a arte para não morrermos da verdade. No entanto, no cenário atual brasileiro, observa-se que fugir da realidade através da arte é algo inalcancável para parte dos cidadãos, tendo em vista as barreriras da democratização do acesso ao cinema, que persiste pela desigualdade social, além da ineficiência legislativa.
Em primeiro plano, evidencia-se que o país possui uma assimetria social alarmante, a qual influencia na dificuldade do acesso ao cinema por parte da população. Conforme dados do IBGE, mais da metade da sociedade brasileira ganha menos de 500 reais mensais. É nítido, portanto, que essa renda insatisfatória é investida em outras questões, como a fome e moradia. Ou seja, o cinema, mesmo sendo crucial para a vida humana, não é tido como prioridade, em razão da luta diária dos indivíduos de baixa renda pela garantia dos direitos básicos.
Em segundo plano, também é importante observar o descaso legislativo como um grande impasse para a resolução da problemática. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as Instituições passam a ser ‘‘Instituiçoes Zumbis’’, pois existem e se mantém, mas sem essência e eficácia, porque não funcionam. Nessa perspectiva, a Constituição Cidadã (1988), a qual garante o lazer como um direito, assemalha-se a ótica descrita por Bauman. Isso porque, não há, na prática, garantia no que diz respeito ao acesso ao mundo cinematográfico para toda população. Dessa forma, um Estado que não provoca o bem-estar coletivo está destinado a vunerabilidade social.
Logo, para ser possível a democratização do cinema no Brasil, medidas devem ser tomadas. O Estado, percursor da conduta social, em conjunto com as escolas e a secretaria da cultura, deve promover nas comunidades e instituições escolares, cineclubes gratuitos, como exposições de filmes nacionais, a fim de diminuir a assimetria do acesso ao cinema e possibilitar a fuga da realidade proposta por Nietsche.