ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 15/12/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os indivíduos a igualdade de direitos. Contudo, esse direito tem sido violado quando a pauta diz sobre a democratização do acesso ao cinema no Brasil, visto que, o consumo aos atuais modelos de cultura ainda são elitizados. Nesse sentido, pode-se analisar que tal problemática decorre da disparidade econômica bem como da negligência governamental.

Em uma primeira análise, destaca-se a dificuldade em tornar o acesso ao cinema plural e igual para a população como um todo. Sendo assim, o filósofo pós-moderno Norberto Bobbio, em sua obra “O Futuro da Democracia”, atesta a existência de uma “Democracia Ideal” – a do plano constituinte – e a “Democracia Real” – a das promessas não cumpridas e a que ocorre na prática. Com isso, é possível considerar a concentração dos cinemas em bairros ricos, assim como o alto preço de ingressos para as sessões de cinema como um mecanismo de exclusão da população com um menor poder aquisitivo, impedindo o pleno exercício democrático e concretizando, de fato, a democracia caracterizada por Bobbio.

Vale ressaltar, também, a presença da indústria cinematográfica no cotidiano dos brasileiros pelas novas tecnologias. Nesse sentido, consoante o sociólogo Pierre Levy, a internet tem a capacidade de potencializar aspectos do mundo real, inclusive a arte. Diante desse cenário, plataformas de vídeo como a Netflix e GloboPlay, transmitem filmes e documentários através de dispositivos conectados a internet, cultivando o interesse dos cidadãos pelo cinema. No entanto, grande parte da população é excluída desse processo por não possuírem acesso às ferramentas digitais – como computadores e tablets, por exemplo.

Sendo assim, diante dos fatos supracitados, faz-se mister a adoção de políticas públicas que solucionem o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Cultura garantir que esse contingente populacional  até então excluído tenha acesso a esse meio cultural. Isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar a obrigatoriedade do Estado em proporcionar carteirinhas que isentem os cidadãos que possuam baixa-renda, independe da idade,  às sessões de cinemas nas grandes capitais, a fim de reduzir a interferência do acesso pela desigualdade. Além disso, é de suma importância que as Organizações Não Governamentais (ONG’s), promovam experiências de cinema nas comunidades, transmitindo filmes em praças públicas, atráves de retroprojetores, alcançando toda a população. Nesse ínterim, consolidar-se-á a democratização efetiva do cinema no Brasil.