ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 17/12/2020
O filme “Central do Brasil” com sua possibilidade de ganhar o Oscar, foi o marco da reinvenção do Cinema nacional. No filme, são mostradas dois brasis: o primeiro, em que há acesso à leitura e a meios básicos de sobrevivência, e o segundo, em que a falta de alfabetização implica em uma vida deficitária, carente. Da mesma forma ocorre com o Cinema no Brasil, que que são visualizados países diferentes em um mesmo território, sendo um que conta com acesso à cultura e outro onde essa se encontra totalmente ausente. Assim, para garantir uma população mais igualitária, é necessário democratizar o acesso do cinema no Brasil, que pode ocorrer por meio da integração socioeconômica com a atividade cinematográfica e também com um Cinema mais identitário com a população brasileira.
Inicialmente, ao se expandir o conceito de integração socioeconômica, coloca-se o Cinema como parte integrante do cotidiano cultural de populações que antes não o viam como possível entreterimento, além de proporcionar incentivos econômicos. Isso pôde ser visto na produção do filme Bacurau, na qual o diretor Kleber Mendonça Filho fez questão de utilizar como atores a população da cidade onde estavam sendo gravadas as cenas do filme. Além de imbuir na população de que é possível fazer parte desse cenário cultural, o legado deixado pelo filme pode ser explorado pelo Turismo local, fazendo essas pequenas comunidades cresçam economicamente.
Em segundo ponto, há poucos exemplares brasileiros que construam um caráter identitário com a sétima arte. Isso pode ser relacionado a teoria de Paulo Freire, mais especificamente na “Pedagogia do Oprimido”. Em sua ideia, Freire propõe que para haver crescimento pedagógico, o conteúdo ensinado tem que ter relação com o contexto a qual o aprendiz está inserido. Analogamente, para que o indivíduo tenha percepção de que também é membro do campo cultural, ele precisa se ver como peça dessa perspectiva. Logo, é preciso que filmes brasileiros demonstrem a grande população, assim como as realidades em que vivem.
Em síntese, a democratização do acesso ao cinema no Brasil reflete os dois brasis retratados em “Central do Brasil”. Há muito a ser feito para que ela ocorra de verdade, mas um caminho para isso é a promoção de incentivos fiscais por parte da Agência Nacional de Cinema (Ancine), que pode ser utulizado da mesma forma que fez Bacurau, por meio de participação da população na elaboração de filmes, a fim de integrar comunidades e economia. Além de promover campanhas de roteiros feitos por realidades não tão retratadas no cinema, em vista de criar identidade e promover o acesso de populações afastadas da sétima arte.