ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 16/01/2021

A Constituição Federal de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, apresentou-se ao país após um período de forte repressão, censura e autoritarismo. Ela representava, na época, a garantia de liberdade e direitos humanos. Nesse sentido, nela consta que todo cidadão brasileiro tem direito ao acesso à cultura, independentemente de seu contexto pessoal. No entanto, o que se vê no Brasil é o contrário: o preço do ingresso de cinema é inacessível à maioria dos brasileiros, haja vista a expressiva desigualdade social do país, e as salas encontram-se concentradas nos centros comerciais das cidades.

Primeiramente, pode-se lembrar da produção cultural durante a Ditadura Civil-Militar no Brasil, a qual foi fonte de resistência e crítica à tirania. Superado esse passado, o brasileiro comum ainda encontra barreiras no acesso à cultura e, especialmente, ao cinema, tendo em vista o preço abusivo dos ingressos. Dessa forma, deixar o alcance dos filmes apenas àqueles com poder aquisitivo é desleal e anticonstitucional.

Além disso, houve a mudança das salas de cinema das ruas aos shoppings, e chegou ao cenário atual de apenas 10% das cidades brasileiras com cinemas, de acordo com o IBGE. Essa é outra forma de centralizar a cultura, já que os shoppings se localizam nos grandes centros e esses, exigem deslocamento e o custo do consumo ali geralmente é elevado. Dessa maneira, incapacita o cidadão, novamente, a ir ao cinema.

Portanto, é necessário coletivizar o cinema no Brasil. Para isso, os departamentos de cinema das universidades públicas podem se unir às secretarias de Cultura locais para exibições periódicas de filmes abertas ao público e propor, ainda, votação popular para a escolha da obra a ser apresentada. Levaria-se, então, o cinema para a população. Além disso, a pasta da Cultura do governo federal pode incentivar a reabertura dos cinemas de rua, por meio de empréstimos e acordos fiscais, para descentralizar as salas do país. Assim, a cultura seria valorizada, tratada como prioridade e distribuída ao povo, como a constituição prevê.