ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 20/12/2020
Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne ao direito à cultura, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que potencialmente democratizariam o acesso ao cinema no território nacional. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens dessa problemática, a fim de propor caminhos para combatê-la.
Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que assegurem a exibição pública de cinema no território nacional - ampliando a cobertura dos cinematógrafos e descentralizando o parque exibidor, por exemplo - não permite que o acesso a filmes seja uma realidade universal no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.
Além disso, cabe citar a desigualdade social como causadora desse imbróglio. Por esse ângulo, convém salientar que a falta de acesso ao cinema está diretamente relacionada à baixa renda no território nacional. Exemplo disso são as regiões Norte e Nordeste, as periferias urbanas, bem como as cidades pequenas e médias do interior, cuja precária infraestrutura inviabiliza a capitalização das empresas exibidoras. Isso é um grave problema, uma vez que, conforme a Constituição Cidadã, garante-se aos brasileiros a inviolabilidade do direito à cultura, o que, infelizmente, destoa da realidade do Brasil, dado que, de acordo com o site de notícias G1, apenas 17% da população frequenta o cinema no país. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse empecilho, de modo a cumprir a Lei Maior.
Finalmente, para democratizar o acesso ao cinema no Brasil, o Estado, em parceria com o Ministério da Cultura, deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado Mais Filmes, tendo como objetivo a ampliação da cobertura dos cinematógrafos e a descentralização do parque exibidor, assegurando a universalidade do acesso ao cinema, bem como endossando a cultura em escala nacional. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, tal qual ocorre no ideal de More.