ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 20/12/2020

O seriado mexicano “Chaves” retrata o dia a dia de Chaves, um menino pobre que passa sua infância em uma pequena vila. Assim, em um dos episódios da série, o personagem Sr. Barriga leva o garoto ao cinema e o rapaz fica encantado com o local, pois nunca teve conhecimento sobre o lugar e nem condições financeiras para frequenta-lo. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da democratização do acesso ao cinema no Brasil, uma vez que grande parte da população não consegue frequentar esse ambiente. Nesse contexto, torna-se evidente como causa a priorização de interesses financeiros, tendo como consequência a falta de investimentos em estruturas.

A princípio, a prioridade dada à questão financial pelas entidades, caracteriza-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, os sociólogos da Escola de Frankfurt pregavam que a cultura se tornou um instrumento voltado para a obtenção de lucros. Nessa perspectiva, desde os processos denominados revoluções industrias e ascensão do capitalismo, o mundo vem demasiadamente priorizando produtos e mercado em detrimentos de valores humanos essenciais, como o acesso à cultura, destacando a coletivização para o acesso às salas cinematográficas. Logo, é nítido que uma vez que o principal foco das instituições são os interesses monetários, a cultura continuará sendo voltado para a lucratividade, fazendo com que o cinema seja viável apenas para classes com melhores rendas financeiras.

Em consequência disso, surge o debate da carência de investimentos para a criação de mais salas de cinematografia. Nesse viés, a teoria contratualista de Thomas Hobbes prega que é dever do Estado garantir o pleno exercício de todos os eixos governamentais, como cidadania e o setor cultural, visando presar o bem-estar do cidadão. Entretanto, nota-se uma falha das entidades ao cumprir com seus deveres, dado que segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais, o Brasil tem quase 40% da população em municípios sem salas de cinema. Dessa forma, visto que existem regiões privilegiadas, nota-se que a teoria do estudioso não está sendo colocada em prática, dado que a falta de investimento impossibilita a criação de ambientes cinematográficos nas regiões necessitadas.

Dessarte, é nítido a importância da democratização do acesso ao cinema no Brasil, porém esse processo ainda possui alguns obstáculos. Portanto, cabe ao Estado, em parceira com o Ministério da Infraestrutura, criar salas de cinema comunitárias, por meio de verbas governamentais, nas regiões carentes desse ambiente, como zonas periféricas e cidades do interior, com o objetivo de possibilitar às pessoas de baixa renda, o acesso a essa parte do meio cultural. Ademais, é importante que o Ministério da Economia realize campanhas para que as empresas cinematográficas disponibilizem um valor mais acessível para o acesso às salas privadas. Então, talvez, o cinema possa ser aproveitado por todos.