ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 25/12/2020
Durante o mandato de Getúlio Vargas, com início na primeira metade do século XX, ocorreu o advento da industrialização e, por conseguinte, a concentração de pessoas e rendas nos grandes centros urbanos. Contudo, embora sejam vistos avanços significativos na infraestrutura e tecnologia, algumas ferramentas que deveriam democratizar a cultura, como o cinema, tem apresentado caráter maléfico e segregado parte da população brasileira. Nesse sentido, convém ressaltar as causas que perpassam tanto o âmbito político, quanto econômico.
Nessa direção, é importante destacar, a priori, que o Poder Executivo falha em garantir o acesso ao cinema e, consequentemente, impacta negativamente nas vidas dos cidadãos. Acerca disso, o Estado, como bem afirmado o economista britânico John Maynard Keynes, deve garantir o bem-estar social. Entretanto, isso não se aplica ao atual cenário brasileiro, pois a falta de locais de reprodução de filmes nas pequenas cidades e periferias se mostra um problema nefasto. Além disso, em contrapartida ao governo de Vargas, com a criação de estatais, outros, como o de Fernando Henrique Cardoso, buscaram criar apenas órgãos fiscalizadores como a Ancine, que tem como objetivo regulamentar. Logo, a falha estatal traz como resultado a elitização desse instrumento importante, pois as grandes empresas que fazem o papel levar à população buscam, em primeiro plano, maximizar os lucros.
Ademais, a indústria cinematográfica e a busca pelo lucro estão entre os entraves que dificultam a resolução da problemática. Prova disso, de acordo com dados divulgados pelo Ipea - Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada -, o salário médio de cerca de 80% da população brasileira está na casa dos quatrocentos reais. Tendo em vista que os custos com alimentação e moradia da classe subalterna, em muitos dos casos, superam esse valor, não sobra dinheiro para investir em cultura ou diversão e, com efeito, aparenta menos atrativo para colocação de salas nesses locais com baixa circulação e arrecadação monetária. Isso denota, sobretudo, a necessidade de intervenção para diminuir as desigualdades acirradas pelo panorama.
Infere-se, portanto, que providências sejam tomadas para minimizar os efeitos negativos da precária acessibilidade ao cinema no Brasil. Dessa forma, compete à Federação, em parceria com a iniciativa privada, criar o projeto “Cinema Democrático”, por meio da destinação de verbas públicas para montagem de projetores em praças e escolas nas cidades interioranas e locais periféricos. Para mais, tais ações terão o objetivo de levar a cultura e o ensino de maneira lúdica, além de atenuar as disparidades. Assim, será possível não só fazer jus às teorias Keynesianas, mas também, gradativamente, chegar a uma cidadania legítima e plural.