ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 28/12/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, explicita que todo e qualquer cidadão tem direito ao lazer em território brasileiro. Entretanto, ao observar a gritante discrepância em relação à acessibilidade à cinematografia entre os grupos sociais, como as classes menos abastadas da sociedade, vê-se que, na realidade, tal privilégio não se concretiza, o que evidencia a necessidade de democratização do acesso ao cinema no Brasil. Por isso, graças à seletividade socioeconômica no país e ao silenciamento da problemática, a problemática perturba a integridade estrutural da sociedade.
Em primeiro plano, a divergência em relação à condição social dos grupos um agravante do problema. Nesse sentido, o Apartheid, regime político que perdurou na África do Sul no século XX, foi tido como um episódio de exclusão na sociedade, no qual os conjuntos minoritários do país, como os negros, foram hostilizados em meio às relações interpessoais. Sob essa óptica, vê-se que, a partir do momento em que se observa uma seletividade socioeconômica em meio ao setor cinematográfico no Brasil, - como se observa na preferência espacial da cinematografia, a qual, segundo a ANCINE, está concentrada em regiões mais privilegiadas economicamente, excluindo a região Norte e Nordeste - há um lamentável rompimento dos direitos básicos do cidadão. Logo, paralelamente à condição sul-africana, a defasagem entre a acessibilidade de cada grupo afeta a sociedade como um todo.
Ademais é significante observar como o silenciamento do tópico contribui para a amplificação do impasse. Nesse viés, de acordo com o filósofo alemão Jurgen Habermas, a comunicação é tida como forte transformador social. Dessa forma, observa-se que, no instante em que o debate ao redor do tema da exclusão cinematográfica recebe uma ínfima visibilidade a tendência é que tal quadro perdure e que se torne ainda mais danoso à sociedade, fato que torna a problemática da exclusão cultural no Brasil ainda mais gritante. Assim, graças à instabilidade observada em meio à sociedade, são necessárias medidas de contenção de tal problemática.
Portanto, percebe-se que a questão do acesso antidemocrático ao cinema no Brasil é tida como um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado deve, por meio da construção de novas salas cinematográficas, as quais deem preferência às minorias, conceder acessibilidade aos grupos minoritários do país para que, assim, os privilégios de cada indivíduo sejam garantidos e, por conseguinte, o setor do lazer e da cultura se torne um dos alicerces da sociedade brasileira. Em suma, para que haja ordem e progresso, a Constituição Federal de 1988 deve ser tida como fundamental na construção da sociedade, fazendo com que todo cidadão usufrua de seus direitos.