ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/01/2021
No livro “Admirável Mundo Novo” é apresentado uma sociedade futurística, na qual a população é dividida em castas. Em determinado momento da trama, revela-se que apenas indivíduos de grupos superiores poderiam ter acesso às salas de exibição. Infelizmente, na realidade, percebe-se um cenário semelhante, uma vez que os espaços cinematográficos têm atendido somente uma parte da coletividade. Com efeito, deve-se discutir sobre os impasses econômicos relativos ao preço, como também os fatores espaciais que inibem a democratização da ida ao cinema no Brasil.
A princípio, é mister ressaltar que inúmeros brasileiros são impedidos de frequentar os ambientes de exibição, devido a questões financeiras. Nesse sentido, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 11,8 milhões de pessoas vivem com uma renda mensal de 145 reais no Brasil. Desse modo, tais indivíduos são incapazes de acessar os espaços cinematográficos, pois das taxas de preço cobradas para a participação desses eventos não corresponde com o padrão de vida de tais grupos. Consequentemente, essa parte da população é excluída dos veículos de transmissão cultural, que contribui para a elitização desses locais. Assim, constata-se a necessidade de novas medidas, a fim de democratizar tais serviços nacionalmente.
Ademais, evidencia-se que as transformações socioespaciais ligadas às dinâmicas dos centros urbanos culminaram na centralização citadina dos cinemas. Nesse seguimento, sob a perspetiva da geografia, os países em desenvolvimento, como o Brasil, foram planejados de modo irregular, porquanto os espaços centrais são ocupados por pessoas de classes mais elevadas, enquanto que o resto dos indivíduos se organizaram nas regiões marginais. Dessarte, aqueles que habitam em ambientes periféricos são inviabilizados quanto à ida às salas de exibição, dado que, para esses sujeitos, a maioria de tais serviços são localizados distantemente.
Em suma, a democratização do acesso ao cinema é impedida pelos altos preços, bem como por questões geográficas. Portanto, o governo federal deve fomentar a acessibilidade às salas de exibição, por meio da criação de um “Passe Acesso”, com a finalidade de oportunizar indivíduos de baixa renda ao cinema. Dessa forma, será concedido uma ida gratuita mensalmente. Além disso, o Estado deve construir novos espaços de exibição em áreas periféricas, com o objetivo de facilitar o acesso aos ambientes cinematográficos àqueles que vivem em periferias. Por fim, espera-se que tais medidas tornem esses serviços mais acessíveis no Brasil.