ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/01/2021

O filme “O Coringa”, lançado em 2019, foi acamado pelo público por trazer à pauta um assunto ainda muito silenciado: as doenças mentais. Isso porque a representação dessas na arte contribui para a maior compreensão social com os portadores, o que evidencia, assim, a importância do acesso aos cinemas pela sociedade. Contudo, sabe-se que não há democratização dos cinemas no Brasil, o que impede que tais benefícios sejam universalizados. Nesse sentido, analisar as raízes e os frutos da problemática é medida que se faz imediata.

Primeiramente, é imperioso ressaltar a negligência estatal como promotora do problema. Nesse sentido, de acordo com a Constituição Federal, artigo 6º, é dever do Estado combater as desigualdades sociais e oferecer lazer à população, entretanto, isso tem sido negligenciado no país. Devido à falta de atuação das autoridades em tornar os cinemas atividade disponível para todas as pessoas, inclusive em regiões periféricas, muitos indivíduos são privados de tal lazer, assegurado por lei. Diante disso, é flagrante o descaso do poder público com a inclusão de todo o povo brasileiro nas atividades do país, sendo necessária a reformulação dessa postura estatal com urgência.

Além disso, é importante pontuar que a desigualdade na distribuição de salas de cinema pelas regiões brasileiras contribui para a perpetuação da problemática. Nessa lógica, segundo o portal ANCINE, o Nordeste e o Norte do Brasil são as regiões menos contempladas com cinemas. Isso se dá em virtude da herança histórico-cultural de que essas regiões são menos relevantes que as demais, o que permeia desde o fim dos ciclos da cana-de-açúcar e borracha, quando essas localidades perderam o protagonismo na economia nacional. Desse modo, é evidente o prejuízo sofrido pelos nortistas e nordestinos, uma vez que ficam alheios aos acontecimentos do país e aos benefícios de acesso à arte.              Dessa maneira, medidas são necessárias para promover a democratização do acesso aos cinemas no Brasil. Destarte, o Ministério da Educação e Cultura deve, em parceria com empresas privadas, promover projetos de construção de cinemas em todos os locais que ainda não têm acesso a essa atividade. Isso se dará por meio de acordos entre os governos estaduais e proprietários de empresas cinematográficas locais, de forma que haja incentivos fiscais pelo setor governamental e construções de salas pelas empresas, não só em regiões periféricas e rurais, mas, também, no Nordeste e Norte do Brasil, a fim de que nenhum indivíduo seja excluído dos direitos previstos pela Carta Magna do país. Em virtude disso, os cinemas serão amplamente distribuídos e todos terão participação nas mudanças sociais provocadas por eles.