ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Nos primeiros versos da canção “Lígia”, de Tom Jobin, é notável a importância do cinema para o povo brasileiro, já que, estruturalmente, está próximo ao samba. Contudo, em contrapartida a esse outro objeto cultural, o acesso à sétima arte no país não é ubíquo: um problema que parte da mercantilização dos ingressos e da ineficiência das leis.

Primeiramente, afirma-se que o custo para acessar as salas de cinema impede a democratização de tais no Brasil. Isso decorre da Indústria Cultural – teoria proposta pelos pensadores da escola de Frankfurt a qual preconiza a mercantilização da arte como um fenômeno contemporâneo, ou seja, a transformação dessa em um produto. Nessa lógica, os indivíduos devem pagar para entrar e consumir os conteúdos disponíveis nessas salas, o que é uma relação indissociável do poder aquisitivo individual. Logo, qualquer preço a ser pago é um fator limitante à democratização do acesso ao cinema no país.

Ademais, os ideais legais acerca dessa problemática não são pragmatizados. Nesse sentido, embora o sexto artigo da Constituição Federal sugira o acesso à cultura como um direito cidadão, a realidade tem se mostrado dissonante, e o Governo, mantendo-se inerte, dificulta a resolução do referido fator limitante à democratização das salas de cinema. Evidência disso está na crítica do livro “O Cidadão de Papel”, do escritor Gilberto Damenstein, a qual, sendo um espelho da realidade brasileira, aponta as leis do Brasil como um alicerce teórico e ideal, na medida em que elas não são efetivadas plenamente.

Portanto, tendo em vista o papel crucial do Governo do Brasil na democratização do acesso ao cinema, compete a ele, na instância do Ministério da Cidadania, o dever de elaborar e destinar verbas a um projeto que vise construir salas de cinema públicas em todo o território nacional. Dessa forma, por meio de uma política pública que o legitimize, tal projeto objetiva reduzir o caráter mercantil associado às salas de cinema atuais e pôr em prática o direito ao acesso à cultura no Brasil, tornando, portanto, a sétima arte ubíqua no país.