ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 06/01/2021
No início do século XIX, o cineasta Charles Chaplin usa o cinema para expressar sua obra “Tempos Modernos”, tornando-se o símbolo de uma nova era artística. No Brasil contemporâneo, contudo, observa-se a necessidade de democratização do acesso ao cinema. Deduz-se tal problemática, sobretudo, pela concentração regional das telonas e pelo custo elevado.
Com efeito, embora, a Constituição de 88 garanta a todos o direito à cultura, a realidade revela escassez de salas de cinema em regiões menos estruturadas, como a zona rural. Essa situação expõe a inaplicabilidade da lei no país, apontada pelo jornalista Gilberto Dimenstein no livro “Cidadãos de Papel”. Desse modo, a arte cinematográfica restringe-se àqueles que moram em médias e grandes cidades com “shopping centers”, diminuindo, assim, o direito dos demais.
Por outro lado, os preços elevados das sessões excluem as classes com menor poder aquisitivo das telas do cinema. Esse fato social é um exemplo do processo de gentrificação do espaço geográfico, estudado por geógrafos em urbanização, gerando áre\s de segregação social. Com isso, a real democratização do cinema requer uma redução das tarifas de modo a permitir o acesso a esse gênero cultural, inclusice, aos mais necessitados, fazendo valer seu direito constitucional.
Portanto, ações contretas são necessárias para mitigar esses desafios. Para isso, o Governo Federal deve construir brevemente salas de cinema populares em regiões mais longíquas, por meio de parcerias com as prefeituras, uma vez que essas têm efetividade capilar na condução de políticas públicas, a fim de aumentar o número de cinéfilos pelo interior, reduzindo a concentração urbana atual. O Congresso Nacional, por sua vez, tem de aprovar lei de incentivo fiscal às empresas reprodutoras de filmes em cinemas, com intuito de reduzir os preços. Com essas medidas, os benefícios da arte cinematográfica não ficarão apenas nos tempos modernos, mas, também no contemporâneo.