ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 08/01/2021
De acordo com conceito biológico, amensalismo define-se como uma relação desarmônica, na qual o indivíduo inibe o crescimento do outro. De maneira análoga, nota-se que a inacessibilidade do acesso ao cinema no Brasil age de forma similar, uma vez que ela inibe o desenvolvimento cultural do cidadão, sendo necessária a democratização desse acesso. Sendo assim, a desigualdade social e a falta de infraestrutura são desafios que propiciam o cenário.
A princípio, percebe-se que a desigualdade social é um dos desafios que contribui para que não haja a democratização do acesso ao cinema. Sob esse viés, o filósofo Peter Singer, ao elaborar o conceito de utilitarismo de preferências, afirma que uma ação é boa somente se ela maximiza o interesse de todos na sociedade. No entanto, devido a desigualdade social, a camada mais vulnerável não tem acesso ao cinema, haja visto que os altos preços dos ingressos não favorecem para que haja um conhecimento cultural. Presencia-se, por exemplo, que, segundo o jornal “Meio Mensagem”, apenas 17% da população frequenta cinemas no Brasil, fator que realça exclusão social e fortalece a importância de mudanças no cenário.
Em segunda análise, a falta de infraestrutura de qualidade é um dos desafios que impedem a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Posto isso, enfatiza-se que, desde o processo de urbanização, houve um aumento da população elitista nas grandes cidades. Nessa perspectiva, observa-se a centralização dos grandes centros cinematográficos para as camadas mais privilegiados. Isso se reflete nos altos preços dos ingressos, os quais limitam o acesso da população, bem como as cidades do interior, as quais não contam com a presença de cinemas, em razão da infraestrutura precária.
Portanto, a Secretaria da Cultura deve criar um programa denominado “100% Cultura”, o qual irá, semanalmente, disponibilizar filmes gratuitos, por meio da utilização de auditórios nas escolas e cinemas culturais nas praças públicas, atendendo ao interesse de todos, a fim de inserir a população e, aos poucos, reduzir a desigualdade. Além disso, o Ministério da Infraestrutura, deve construir centros culturais nas cidades mais pobres. Somente assim, a não democratização do cinema deixará de inibir o crescimento do indivíduo e passará a funcionar de forma protocooperativa.