ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante lazer e bem-estar social para todas as pessoas. Entretanto, ao considerar o acesso às salas de cinema por pessoas com vulnerabilidade econômica no Brasil, percebe-se que essa parcela da população não usufrui, como deveria, desse espaço de lazer. Nessa perspectiva, é mister discutir sobre os fatores que impedem esses cidadãos de frequentarem esses locais.

Primeiramente, vale destacar que o cinema se tornou mais uma mercadoria da indústria cultural e, por isso, sua ocupação concentrou-se em lugares de grande circulação econômica como as grandes cidades. Nesse cenário, ao tomar como base os estudos dos sociólogos Adorno e Horkheimer sobre “Indústria Cultural”, não é difícil compreender o porquê regiões que concentram pessoas mais pobres têm poucas salas de cinema e, por isso, esses cidadãos tem acesso limitado à essa forma de lazer. Isso ocorre devido ao fato de que essa parte da população não promove tanto lucro para as indústrias cinematográficas como as regiões mais ricas, pois aquela não dispões de tantos recursos financeiros para acessar esses serviços, que de acordo com os estudiosos acima, passou a ser mais um produto explorado pelo capitalismo.

Além disso, o valor dos ingressos não é acessível para boa parte dos brasileiros. Nesse contexto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 50% da população do Brasil pertence a classe econômica C ou D. Assim, comprar ingressos para assistir filmes em cinemas é, quase sempre, uma opção inviável para várias famílias que, muitas vezes, têm dificuldades para conseguir o alimento diário. Desse modo, fica evidente que medidas são necessárias para democratizar o acesso desses espaços e permitir que todos os cidadãos, independente da renda, possa usufruir desse lazer.

É necessário, portanto, que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, juntamente com o Ministério da Economia, promovam a construção de cinemas públicos por meio da construção desses espaços nas cidades brasileiras. Esses locais deverão ter entrada gratuita e reservada com antecedência para manter a organização e possibilitar o acesso a todas às pessoas. Ademais, os filmes serão exibidos em horários pré-estabelecidos pelas prefeituras de cada cidade, e os ingressos deverão ser distribuídos em pontos autorizados pelo governo e que sejam de fácil localização para os mais vulneráveis economicamente. Através dessas ações, o acesso ao cinema no Brasil será mais democrático e o lazer e bem-estar social melhor garantido como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos.