ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 10/01/2021

No contexto da filosofia política, várias acepções são feitas acerca da relação entre indivíduos e seus direitos fundamentais. Nessa perspectiva, surgiram os autores contratualistas que pensavam numa maneira do Estado obter poder para assegurar essas prescrições inerentes ao ente humano: o contrato social. De forma análoga, hodiernamente, configura-se no Brasil, uma sociedade que ao longo do seu desenvolvimento encontra obstáculos ao se referir a democratização do acesso em cinemas, desse modo, a romper com o pacto social apontado pelos pensadores. Isso se manifesta não apenas pela negligência do Estado, mas também pela desigualdade.

Sob esse víes, a princípio, é importante atentar sobre a ausência da inclusão do acesso ao cinema. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de “Instituição zumbi”, segundo o qual entidades perderam sua função social, mas sustentaram - a todo custo - a sua forma. Nesse sentido, percebe-se que, infelizmente, o Estado assemelhe-se ao exposto por Bauman quando negligência a democratização em cultura cinematográfica que abre portas, por exemplo, no conhecimento de outras artes, culturas e tradições. Sendo assim, uma situação alarmante de despreocupação que precisa ser alterada.

Além disso, outra dificuldade encontrada nesse âmbito, se destaca a desigualdade socioeconômica. De acordo com a Constituição Federal Brasileira de 1988, é direito de todo cidadão o bem-estar social, igualdade e educação. Entretanto, isso não ocorre na questão do acesso ao cinema para todos, seja por motivos financeiros, bem como, uma educação precária, pois muitas crianças em escolas perdem conhecimento de mundo por não possuírem condições de ir ao cinema e nem as escolas subsídios suficientes para acompanhar o alunado. Logo, é inaceitável que um país adotante da Constituição não seja, efetivamente, capaz de converter tal situação.

Infere-se, portanto, que medidas sejam realizadas para reverter esse impasse. O Governo deve investir mais subsídios para que todos tenham a possibilidade de ir ao cinema, por intermédio das escolas, usar esse investimento e com profissionais da área para orientar nessa inclusão. Espera-se, com isso, garantir que a sociedade vigente tenha facilidade de obter conhecimento através do cinema no Brasil e, ao mesmo tempo, conseguir integrar de forma eficaz o contrato social concebido na filosofia política.