ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Um dos principais elementos de uma sociedade humana é a produção cultural. Por meio dela, o povo registra sua história, seu pensamento e sua visão de mundo, o que contribui para a construção de uma memória coletiva mais forte e permite a ampliação do conhecimento crítico promovida pelo contato com essas produções. Atualmente, um importante constituinte do espectro cultural é o cinema, que, embora possua um relevante papel social, encontra-se, no Brasil, muito restrito a parcelas mais privilegiadas da sociedade, o que é grave.
A referida importância do cinema na sociedade se explica pelo fato de, como forma de arte, filmes funcionarem por meio da “mímesis” — conceito de Aristóteles que se refere à capacidade de obras artísticas representarem a realidade de forma simulada circula o que possibilita a vivência indireta de situações variadas e leva, potencialmente, à compreensão da vida em sociedade e das relações humanas, o que pode promover efeitos educativos ou conscientizadores. Nesse sentido, ao retratar, mesmo que de forma ficcional, traços presentes nas relações sociais, o cinema pode gerar críticas profundas, que podem, por sua vez, culminar em melhorias na sociedade e fortalecimento de ideais ou grupos. Por exemplo, a obra “Jogo da Imitação”, ao retratar a atuação de Alan turing na criação de computadores, bem como seu drama por ser homossexual em uma sociedade intolerante, ressalta o quão grave é a manutenção de um pensamento homofóbico. Assim, um acesso ao cinema potencializa valores cruciais para a harmonia social.
Todavia, ocorre, no Brasil, uma nítida elitização do acesso a esse tipo de arte. O baixo número de salas e a concentração destas em shopping centers de grandes cidades tornam produções cinematográficas inacessíveis a grande parte da população, visto que muitas cidades nem sequer tem estrutura para exibi-las. Além disso, os altos preços fazem com que, para mais de um terço da população, que, segundo o IBGE, tem renda familiar de até 2 salários mínimos, ir ao cinema seja uma atividade inviável. Assim, nega se o direito ao acesso à cultura, provido na Constituição, e aos benefícios do cinema.
Portanto, o Ministério da Cultura deve ampliar o número de salas de cinema e diminuir os preços dos ingressos, por meio de subsídios (como insenções (sic) fiscais a empresas que praticarem preços populares) dados a instituições para que abram novas salas em regiões em que, hoje, o acesso a filmes é difícil. Com isso, será alcançado o objetivo de tornar o cinema mais presente na vida de daqueles com menos renda, potencializando os efeitos dessa arte em todos os âmbitos sociais.