ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/01/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Sob a ótica poética de Carlos Drummond de Andrade, tal verso mimetiza os óbices impostos pela vida. Analogamente, encontra-se a questão do alcance ao cinema no Brasil, já que muitos cidadãos têm sua garantia à cultura negligenciada e, por conseguinte, enfrentam o desafio de viver uma realidade não democratizada. Assim, faz-se sine qua non discutir a democratização do acesso ao cinema, visto que é um direito estabelecido na Magna Carta, além de corroborar com a manutemção das desigualdades.
Nesse contexto, é previsto no artigo 215 da Constituição, a qual foi promulgada em 1988, o direito de acesso à cultura a todos os brasileiros. Entretanto, nota-se uma irregularidade inexorável na fiscalização judiciária, posto que, de acordo com uma pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geogrfia e Estatística (IBGE), 40% da população morava em municípios sem, ao menos, um cinema. Desse modo, torna-se nítido o descuido e descaso de entidades governamentais acerca da equidade no âmbito cultural.
Outrossim, é fulcral enaltecer o fato de que o déficit de igualdade em relação ao acesso ao cinema ratifica a estagnação da desigualdade social. À luz literária, o supracitado faz-se convergente com a obra “O Cortiço”, do naturalista Aluísio Azevedo, em que, graças a uma urbanização mal estruturada, uma grande parcela da população viu-se marginalizada perante a garantia de direitos básicos, como a obtenção de meios sanitários e culturais. Em consonância, percebe-se a similaridade com o mundo cinematográfico no país, uma vez que periferias, por exemplo, não contam com a existência de cinemas, ao passo que centros metropolitanos divergem da realidade proscrita dos centros mais humildes. Segundo o IBGE, mais de nove milhões de pessoas, as quais moram em favelas, não têm acesso a salas de cinemano estado de São Paulo. Dessa forma, a manutenção da desigualdade é cognoscível.
É necessário, dessarte, tornar o acesso ao cinema mais equitativo. Portanto, cabe à Agência Nacional do Cinema (Ancine) fomentar a construção de estabelecimentos e salas em municípios que carecem desse espectro cultural. Isso é feito por meio de um reajuste de verbas nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs), a fim de trazer o universo cinematpgráfico ao alcance de mais pessoas e, assim, democratizar o direito de todos. Logo, o caminho de muitos brasileiros tornar-se-á livre de pedras.