ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Na obra literária “Quarto de Despejo” da escritora Carolina de Jesus, é narrada a vida de uma moradora de uma comunidade do estado de São Paulo na qual seus habitantes, devido às suas condições financeiras exíguas, não possuem a oportunidade de frequentar um cinema e perdem a experiência, que segundo Edgar Morin, é capaz de “transpor para tela o universo pessoal”. Infelizmente, ao estabelecer uma análise da sociedade brasileira coetânea, é perceptível a existência de uma realidade homóloga à narrada no livro, na qual apenas as classes médias e altas conseguem ter acesso ao cinema, algo que urge reflexão.

Em uma primeira abordagem, é válido ressaltar que a dificuldade na democratização do acesso à Indústria cinematográfica não é uma invenção atual, durante o século XX, este era restrito às elites urbanas que iam aos cinemas como forma de lazer e para aprender mais sobre a cultura de outros países. Com o passar dos anos, novas redes divulgadoras de filmes como a Cinépolis e Cinemark, passaram a abrir franquias em outras cidades e permitir uma maior quantidade de salas pelo País, aumentando assim o número de espectadores.

Entretanto, mesmo ao dobrar a quantia de cinemas em cerca de 20 anos, a realidade ainda se faz semelhante ao apresentado pela autora brasileira supracitada, na qual, por causa de poucas políticas públicas que permitem visitar esses lugares epecíficos, a população carente não consegue usufruir das vantagens que um obra cinematográfica proporciona, como o aprendizado de diferentes modos de pensar e agir presentes no mundo. Com movimentos sociais como o elaborado pelo CineB, que apresenta filmes nacionais em praças públicas de fácil localização, ver um filme se torna algo que vai além de algo possível, se torna também democrático.

Em vista do argumentos elencados, é mister a adoção de medidas que visem à democratização do acesso ao cinema no Brasil. Uma providência válida, é a elaboração de um projeto de lei, sugerido pelo Ministério da Cidadania e aprovado pela Câmara dos Deputados, que tenha como intuito criar uma carteirinha que por meio da inscrição do cidadão e comprovação de uma renda igual ou inferior ao salário mínimo, dê o direito de frequentar  salas de cinema parceiras da proposta 1 vez por mês, e  assim, fazer com que cenários como o descrito no livro aludido, sejam reduzidos e se tornem plenamente democráticos.