ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Em meados do século XX, iniciava-se, a partir dos países desenvolvidos, a Terceira Revolução Industrial. Essa revolução é caracterizada como uma expansão tecnológica e informacional, que se dissemina em nível global até os dias atuais. Nesse contexto de rápida propagação de informações e conteúdo, o cinema tornou-se uma das formas de comunicar e trasmitir diferentes culturas e povos, de forma a alcançar cada vez mais espectadores. Porém, no Brasil, as salas de cinema ainda não são um espaço acessível para todos, visto que, mesmo com a alcançabilidade mais abrangente, não chega em todos os lugares e não englobar certa massa populacional devido às diferenças de classe.
Em primeiro plano, é decerto constatar que, atualmente, o cinema pode ser classificado como um dos mais importantes meios de comunicação em massa, graças à sua rápida expansão. Como foi possível observar, por exemplo, no lançamento do filme “Vingadores: Ultimato”, no qual atraiu milhões de pessoas, feito responsável pela recepção do título de maior bilheteria de todos os tempos após atingir mais de 2 bilhões de dólares mundialmente. Em contrapartida, apesar da exacerbada quantidade de espectadores, ao trazer para a vivência brasileira, essa realidade deixa de ser tão presente, visto que os cinemas estão localizados, principalmente, nas áreas centrais das cidades, muitas vezes fator agente para que os moradores de regiões interioranas ou marginalizadas não tenham acesso. Ou seja, só podem chegar à essas áreas quem vive nas metrópoles ou através de locomoções entre cidades.
Ademais, outro fator contribuinte que impede a aproximação de parte da nação no universo cinematográfico, que acarreta exclusão populacional, é a grande desigualdade social no país, que não permite a inclusão de alguns indivíduos subalternos em situação de pobreza, impossibilitados de transitarem em certos locais devido ao alto custo para a circulação. Esse cenário provoca a elitização de espaços que deveriam ser para todos, independente do núcleo social em que está inserido. Em outras palavras, os que não tem condições de arcarem com o deslocamento e ingresso para as salas de cinema espalhadas pelo país, não desfrutam da sétima arte.
Portanto, pode-se constatar que os problemas discutidos são motivados, de forma geral, pelo abandono dos pobres e dos que residem em áreas afastadas dos centros. Logo, com o objetivo de diminuir os impasses, é necessário que o governo federal, por meio do Ministério da Cidadania, insira programas de construção de cinemas públicos com ingressos gratuitos ou de baixo custo, e que estes sejam localizados em regiões periféricas e rurais, a fim de compreender uma parte significativa dos cidadãos menos favorecidos. Consequentemente, será assegurável, gradativamente, a incorporação de todos os brasileiros à cultura presente nas telas.