ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No livro escrito pela catadora de lixo Carolia de Jesus, o eu-lírico, a própria Carolina, relata, além de outros problemas, a carência de lazer sofrida pelos cidadães brasileiros de classe baixa. Esse problema ao se referir ao cinema, forma de lazer que vem crescendo entre os brasileiros, é clara, uma vez que não há democratização de seu acesso no Brasil. Tal situação ocorre pois, a cultura é elitizada no país, o que gera um conhecimento centralizado e pessoas facilmente manipuláveis.

Diante desse cenário, o cinema,sendo um meio de repressentação e crítica da realidade, é privilégio das classes médias e altas. Esse fato é perceptível pela centralização das salas de cinema em bairros de alta classe e é explicada pelo filósofo Pierre Bourdier, quando o falecido estudioso escreve sobre o capital simbólico, sendo o conhecimento uma forma de um grupo obter poder sobre o outro. É necessário que as salas de cinema sejam igualmente distribuidas entre todos, para que o conhecimento seja acessível a qualquer indivíduo, e um cidadão não tenha privilégio sobre outro.

Por consequinte, o acesso não igualitário aos cinemas ocasiona que muitos se tornem facilmente manipuláveis, uma vez que o pouco conhecimento da realidade, situação que os filmes combatem ao serem assistidos, tornam as pessoas sucetíveis a acreditarem em mentiras ou meia verdades. De acordo com o filósofo alemão Karl Marx só se transmite aquilo que a classe social dominante permite, logo é desejável que haja uma alienção por parte dos mais pobres. Tal ideia é contrária à máxima constitucional qur todos os brasileiros tem o mesmo direito.

Portanto, fa-se necessário que a Ancine, em parceria com o MEC, promova maior aderência das classes baixas aos cinemas, por meio da instalação em periférias, de cinemas de qualidade. Tal ação será tomada a fim de que, tanto os mais pobres como os mais ricos, tenham acesso ao conhecimento transmitido através das telas.