ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Mãe gentil
Desde antes das Vanguardas europeias emergirem no Brasil ou o Manifesto futurista ser documentado, em 1909, o “cinematógrafo” já levava a sua arte pelas ruas de Paris. Na esteira desse processo, o cinema ganhou espaço na sociedade global, sobretudo, na nação verde e amarela, o que possibilitou uma mudança nos seus conceitos artísticos e culturais. Em contra partida, devido às desigualdades sociais, a sua magia não é acessível para todos, sendo necessárias medidas públicas que alterem tal cenário.
Nesse sentido, de acordo pesquisas feitas pela Universidade de São Paulo, em 2018, a influência cinematográfica sob a cultura brasileira cresceu exponencialmente nas últimas duas décadas. Assim, romances como “Dom Casmurro”, ganham vida dentro das telinhas e expandem as experiências socioculturais dos seus espectadores. Essa expansão, segundo a revista Science, está atrelada ao conceito sociológico de Indústria Cultural, uma vez que, as grandes empresas e multinacionais usufluem dessas experiências que o cinema proporciona à sociedade e do seu significado cultural para obter lucro.
Diante desse cenário, a cultura de massa, que é a produção de bens de modo direcionado e específico, passa a atuar sob esse pretexto, explicou o economista da Universidade de Oxford. Em decorrência disso, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada afirmou que os cinemas passaram a se concentrar nas grandes capitais brasileiras e nas regiões de maior renda ao invés das periferias urbanas, o que resulta no aumento da desigualdade social entre tais regiões e exige uma intervenção estatal que democratize o acesso as telinhas.
Destarte, à luz das ideias da filósofa Hannah Arendt, os direitos não são dados, são construídos. Ampliando essa máxima, é de suma importância a união dos atores da mudança para modificar a situação vigente e construir um Brasil mais democrático. Para isso, cabe ao governo federal, por meio da disponibilização de subsídios, atrair empresas cinematográficas para as regiões mais periféricas e investir na infraestrutura dessas cidades. Atrelado a isso, é dever midiático informar a população sobre a importância cultural, econômica e social de democratizar o acesso aos cinemas. Somente assim, com a ação conjunta do poder Executivo e da mídia, ter-se-á um Brasil “mãe gentil” para todos, em que ir assistir um filme será uma atividade livre para todos os públicos.