ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/01/2021
A Constituição de 1988 exprime que é dever da República Federativa construir uma sociedade justa, livre e solidária, promovendo, assim, o bem de todos. Entretanto, essa prerrogativa não é feita com sucesso no século vigente quando se observa a falta de democratização do acesso ao cinema no Brasil, o que dificulta, deste modo, a efetivação dessa garantia social indispensável. Nesse sentido, faz-se mister analisar quais os motivos por trás desse cenário tão debilitado, que é fruto tanto da negligência governamental, quanto da ausência da educação como instrumento transformador.
Em primeira análise, segundo o filósofo inglês John Locke, quando o Estado não cumpre sua função de assegurar que todos os cidadãos desfrutem de seus direitos fundamentais, há a violação do “contrato social”. Sob tal ótica, a inércia do governo na criação de políticas públicas eficazes, as quais consigam contornar o quadro social vivido hodiernamente, atua como um dos principais fomentadores da dificuldade de popularizar o cinema para todos os brasileiros, o que propicia a condição figurada por Locke. Dessa forma, advém a origem de um grupo vulnerável e descredibilizado nessa questão, uma vez que não são todos que possuem poder aquisitivo suficiente para frequentar as salas de cinema, o que incita ainda mais a segregação social no país.
Ademais, a carência do acesso à educação por parte de diversas pessoas brasileiras estimula um cenário em que a formação dos estados morais requeridos pela sociedade é quase inexistente. Em virtude disso, grande parcela da população se torna refém daqueles que detém o saber, ou seja, não apresentam conhecimentos suficientes de suas regalias essenciais, o que motiva o desenvolvimento de uma conjuntura em que os próprios cidadãos não mostram interesse pela busca da democratização cultural cinematográfica. Partindo desse pressuposto, o fortalecimento de instituições escolares é imprescindível, dado que, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a esfera educacional é o principal meio de introdução das pessoas na comunidade.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para combater a falta de igualdade do acesso ao cinema no Brasil. Em suma, o Governo Federal - entidade encarregada pelo progresso nacional - deve aprimorar e adequar políticas ao contexto contemporâneo, junto do aumento na quantia investida no setor cultural e educacional. Isso deve ser feito por intermédio de um melhor direcionamento orçamentário a essa causa, a fim de possiblitar a construção de salas de cinema com baixo custo ou gratuitas, e consolidar as associações socias para que a popualção se conscientize da importância do acesso à cultura no país. A partir dessas ações, o Brasil poderá promover com êxito o cumprimento da Carta Magna.