ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Na clássica obra do cinema italiano “Cinema Paradiso” acompanhamos o florescer da paixão de Toto, menino de origem humilde, pela sétima arte. A partir deste contato, assistimos à expansão de sua visão de mundo e observamos sua vida se metamorfosear através da película. O filme é uma ode ao cinema e sua capacidade de transformação da realidade. No Brasil, um país em que o acesso ao cinema é limitado tanto pela distribuição desigual das salas de espetáculo quanto pela alienação do direito à cultura, é ainda um desafio oferecer a experiência cinematográfica a todos.

Em primeiro plano, observa-se a má distribuição das salas de cinema no território brasileiro, de forma que sua realização privilegia regiões densamente urbanizadas e áreas em que há maior concentração de renda. Desta forma, prioriza-se os interesses da camada dominante, criando um panorama de segregação socioespacial. A exemplo disto está a cidade de São Paulo, em que na nobre região da Avenida Paulista encontramos dezenas de cinemas, na rua e em shoppings, com programações para públicos variados. Enquanto isso, em todo o bairro de Parelheiros, na periferia da capital paulista, a densidade de salas de exibição cai abruptamente.

Além disso, há a problemática do direito à cultura ser alienado do povo, de maneira que é colocado na periferia das necessidades humanas, sendo assim, mais facilmente alijado da população. Porém, como destacado na música “Comida”, da banda Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, isso é, além das necessidades fisiológicas o ser humano também deve ter seu direito a cultura e ao lazer respeitado. Sob esta ótica, o acesso a arte e ao entretenimento também devem ser providos como necessidades básicas.

Em síntese, é fundamental que se garanta os meios de democratização do acesso ao cinema para toda a população. Para tal, urge que as Secretarias de Cultura em conjunto com as prefeituras criem um projeto de realização de sessões de cinema gratuitas em espaços abertos – como praças e parques – em regiões periféricas, de maneira a ampliar o acesso da população ao cinema sem a necessidade de deslocamento para grandes centros. Assim, os encantos da sétima arte poderão tocar as vidas de tantos outros como Toto.