ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 14/01/2021
O cinema, a partir da concepção de Edgar Morin, “seria um meio de transpor para a tela o universo pessoal, solicitando a participação do espectador”. Todavia, no Brasil, nem todos têm a oportunidade de ser um espectador, haja vista as barreiras socioespaciais existentes no que tange às exibições cinematográficas, responsáveis pela segregação de grande parcela da sociedade. Diante disso, torna-se essencial o debate acerca da democratização do acesso ao cinema no país, bem como compreender os impactos dessa segregação em território nacional.
Em primeiro lugar, cabe destacar que o acesso ao cinema, em solo brasileiro, é elitizado. Isso porque, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), as salas de exibição encontram-se concentradas nas áreas mais nobres das cidades, de modo a privilegiar o usufruto daqueles com maior poder aquisitivo. Nesse sentido, dado às barreiras socioespacias existentes, as comunidades residentes das periferias e o público menos favorecido socialmente acaba sendo impedido de participar dessa modalidade cultural, situação essa que se corrobora com as estatísticas divulgadas pelo INEP, ao evidenciar que apenas 17% da população frequenta, mensalmente, o cinema.
Em segundo lugar, é válido analisar a relação da marginalização cultural com a relativização do exercício da cidadania. A respeito disso, o sociólogo alemão Max Weber salienta que o homem nada mais é que o produto dos valores vigentes em sua sociedade, o que inclui os aspectos sociais, políticos, econômicos, religiosos e culturais de seu povo. Nesse viés, caso o indivíduo seja privado de ter contato com a diversidade cultural de sua comunidade, ele estaria, em outras palavras, sendo submetido a um processo de privação de seu próprio direito fundamental de participar da vida em sociedade, o que impacta, diretamente, em seu sentimento de pertencimento social e, por conseguinte, no exercício de sua cidadania.
Destarte, observa-se que as barreiras geográficas e sociais impedem que o acesso ao cinema seja universal, de forma a impactar fortemente no exercício da cidadania de grande parcela da nação brasileira. Portanto, visando mitigar essa problemática ou, até mesmo, resolvê-la, é necessário que as secretarias de cultura e de finanças municipais estimulem a distribuição homogênea das salas de exibição cinematográfica, por meio da concessão de subsídos fiscais a empresas do ramo, a fim de tornar as regiões periféricas mais atrativas ao investimento em cultura. Desse modo, espera-se que o sentimento de pertencimento da população marginalizada possa ser majorado e que, assim, as pessoas com mais limitações econômicas possam, também, ser espectadoras das telas de Edgar Morin.