ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Em sua obra, “O Cidadão de Papel”, o escritor brasileiro Gilberto Dimeistein disserta que, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista que, apesar do direito a cultura ser constitucionalmente garantido, o acesso ao cinema não se encontra efetivado. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão dos altos custos dos ingressos, mas também devido a falhas governamentais.
Em uma primeira análise é fundamental apontar o preço dos ingressos como causa da dificuldade ao acesso ao cinema, visto que é um valor inacessível para uma grande parcela da sociedade. Segundo dados diponíveis no site Meio e Mensagem, 83% da população brasileira não frequentam o cinema. Diante de tal exposto, fica evidente que o acesso a esse meio de lazer, se encontra elitizado. Logo é inadmissível que este cenário perdure.
Ademais, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para promover o acesso ao cinema. Nesse sentido, a população menos favorecida fica isenta da possibilidade de frequentar tais espaços. Essa conjuntura, segundo os ideais do filósofo contratualista Jonh Locke, configura-se como uma violação do contrato social, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis como cultura e lazer, o que infelizmente é evidente no país.
Depreende-se portanto, a necessidade de superação desses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Ministério da Cultura e Economia, crie um projeto de lei que forneça ingressos gratuitos à população que requerir e comprovar situação de vulnerabilidade, a fim de que haja a democratização do acesso ao cinema. Dessa forma, se consolidará uma sociedade mais justa e igualitária, na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social” tal como afirma Jonh Locke.