ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Em “No meio do caminho”, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade cita repetidamente uma pedra, em alusão aos percalços do cotidiano. Fora da literatura, a falta de cinemas comunitários e o pouco incentivo do Estado a produtores e exibidores cinematográficos locais constituem pedras na busca pela democratização do acesso ao cinema no Brasil e evidencia a necessidade de medidas que resolvam essse problema.
No século XIX, o exercício do voto no Brasil era cencitário, onde a renda era determinante para o exercício desse direito. Centenas de anos depois, o acesso ao cinema no país ainda permanece cencitário. Nessa perspectiva, a falta de cinemas comunitários nas regiões periféricas, cidades do interior e regiões rurais provoca uma restrição ao acesso ou sua limitação a somente quem pode pagar pelo serviço. Nesse sentido, pesquisa divulgada pela Agência Nacional de Cinema (ANCINE), o Brasil é o 60º país na relação habitantes por sala, além disso, maioria se concentram em shoppings e áreas de maior renda.
Ademais, o pouco incentivo do Estado aos pequenos produtores e exibidores de cinemas locais contribui para que o cinema se afaste da realidade dos menos abastados e reforça o aspecto pouco democrático desse serviço. Além disso, limita que os mesmos expressem seus costumes e valores por meio da arte do cinema.
Por tudo isso, medidas são necessárias para resolver essse impasse. Portanto, caberá as prefeituras municipais, por meio de suas respectivas secretarias de cultura, investir na criação e manutenção de cinemas comunitários, a serem instalados em prédios públicos não utilizados, que serão abertos a comunidade e com exibição de conteúdos de produção local, a fim de democratizar o acesso ao cinema para todos. Outrossim, caberá ao congresso brasileiro elaboração, discurssão e votação de lei que estipula uma cota mínima para exibição em cinemas de conteúdos de produção cinematográfica local.