ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Na Constituição Federal Brasileira de 1988, é garantido a todos os cidadãos o acesso à cultura, afirmando a importância desse direito aos indivíduos. As práticas culturais existentes no Brasil, atualmente, são diversas, como as exibições de arte em museus, as peças teatrais e os filmes reproduzidos nos cinemas. No entanto, há uma clara falta de democratização desses espaços, sobretudo naqueles que disponibilizam obras cinematográficas, pela falta de pessoas provenientes de classes sociais baixas frequentadoras desses locais, fortalecendo, portanto, a elitização da arte e dos produtos culturais. Sendo assim, é perceptível a importância de se discutir essa temática, que demanda medidas eficazes nos âmbitos sociais e econômicos.

Em primeira análise, o cinema é um importante canal de promoção da cultura e da educação, por exibir diversas visões ideológicas que ultrapassam as barreiras conteudistas impostas pelas instituições tradicionais e formais de ensino. Segundo o filósofo John Locke, os seres humanos nascem como folhas em branco e, ao longo de suas vidas, vão moldando-se e formando suas personalidades a partir de suas experiências. Dessa forma, é possível relacionar a relevância do senso crítico promovido pelos filmes no cinema e a formação mais abrangente dos indivíduos sociais. Em suma, o acesso a esses locais por todos os cidadãos é fundamental para a construção de uma comunidade diversa e engajada,

Em segunda análise, no entanto, a garantia do direito previsto na Constituição citada anteriormente, sobre o acesso da população a espaços culturais, como o cinema, não é, de fato, concebida no Brasil. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais nacionais são cumpridas, desencadeando uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Esse cenário é presente no Brasil pois não há a democratização de eventos cinematográficos, pois estes ocorrem em espaços elitizados, como shoppings, e com preços inacessíveis à comunidade de baixa renda.

Dessa maneira, apenas parte dos cidadãos conseguem chegar nesses locais e usufruir dos produtos culturais oferecidos, gerando um quadro de segregação desses espaços e da arte promovida por eles. Tendo em vista a problemática supracitada, medidas são necessárias para resolvê-la. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, com a finalidade de ampliar o senso crítico ao democratizar o acesso à cultura, promover sessões de cinema gratuitas em locais públicos, como em praças, em parques e em centros culturais. Essa iniciativa deve ser realizada por meio do auxílio de empresas privadas relacionado a artes visuais, que devem oferecer todo o aparato necessário. Dessa forma, ocorrerá a aproximação da arte cinematográfica com o público diverso e a garantia do Artigo 215º será efetivada.