ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 21/01/2021

No dia 8 de julho de 1896 acontecia a primeira exibição de cinema no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. No evento, apenas a elite carioca estava presente, afinal, os ingressos eram caros. Trazendo para o contexto atual, nota-se que pouco mudou em relação à acessibilidade das demais classes sociais a esse espaço cultural. Percebe-se, também, a inadaptabilidade das salas de cinema para pessoas surdas, cegas ou autistas, sendo, assim, mais uma vez excludente. O cinema é uma rica ferramenta cultural, portanto, sua democratização é necessária e passível de debate social.

Em 2012, o Índice de Preços ao Consumidor divulgou que em um ano o preço do ingresso para as sessões subiu tanto que superou a inflação do período. O que já era evidente acabou sendo ainda mais acentuado, pois cada vez menos as classes sociais mais baixas puderam frequentar o espaço dos cinemas. Tal fato denota a elitização do consumo à cultura nesse local e uma das consequências é a perpetuação da segregação.

Além disso, fones com audiodescrição para cegos, legendas para surdos e alterações de som e iluminação nas salas para atender às particularidades de convívio de pessoas no espectro autista são algumas das adaptações necessárias para que esse público seja capaz de acessar aos cinemas. Essas ações inclusivas não são, porém, a realidade, o que revela uma forma clara de descaso com pessoas que possuem deficiências sensoriais, e fere-se, dessa forma, a cidadania dessas pessoas.

Conclui-se, dessa forma, que medidas são necessárias para democratização do acesso ao cinema, como forma de diminuição de desigualdades sociais no que diz respeito à apropriação de espaços culturais e garantia de direitos. Para isso, deve haver parceria entre governo e empresas privadas para ampliar os recursos que promovam o acesso, por exemplo, por meio do vale-cultura. Além disso, a Agência Nacional do Cinema, órgão oficial de regularização e fiscalização da indústria cinematográfica nacional, deve investir na obrigatoriedade de adaptações do espaço para surdos, cegos e autistas, possibilitando, assim, acessibilidade democrática.