ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 23/03/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Carlos Drummond de Andrade, poeta moderno, descreve, em seus versos, as dificuldades do eu lírico ao se defrontar com um entrave. De maneira análoga, é notório que a acessibilidade ao cinema é um desafio para a sociedade brasileira contemporânea. Nesse sentido, é possível mencionar a segregação socioespacial como um fator que sustenta essa realidade.
Em primeiro lugar, é necessário comentar sobre a relevância dos cinemas. À vista disso, a Grécia Antiga foi marcada por sua riqueza cultural, que pode ser observada por meio das peças teatrias, as quais abordavam importantes questões sociais da época, como a justiça e o destino. De modo similar, na sociedade brasileira hodierna, o cinema se constitui como um elemento primordial, a medida em que dialoga com assuntos da esfera social, o que gera identificação e representatividade.
Apesar disso, muitos brasileiros não possuem acesso aos cinemas, devido a segregação socioespacial. Sob esse viés, Theodor Adorno, pensador da escola de Frankfurt, atesta que, no sistema capitalista, os instrumentos culturais passam a ser mercantilizados, tratados como uma expressão do capital. Essa teoria se relaciona com o fato de que as salas de cinemas são concentradas em áreas nobres, que garantem maior retorno financeiro. Logo, como consequência, esse recurso passa a ser negado a parte dos cidadãos.
Portanto, a fim de garantir a democratização do acesso ao cinema, é preciso que o Governo Federal, por meio do Ministério da Cidadania, desenvolva centros, em regiões geograficamente desfavorecidas, que possibilitem o contato com produções cinematográficas. Esses centros devem ser de cunho público. Além disso, devem contar com atrações voltadas para todas as faixas etárias. Somente assim a “pedra no caminho” será devidamente combatida e atenuada.