ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 16/04/2021

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a precária democratização do acesso ao cinema, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de salas de cinema nas comunidades periféricas, seja pela alta taxa inserida no preço dos ingressos. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Primeiramente, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a localização centralista de salas de cinema nas cidades rompe essa harmonia, haja vista que dados apresentados pelo “G1” declaram que 83% da população não tem acesso ao cinema.

Outrossim, destaca-se o custo exorbitante dos ingressos vendidos como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalizada e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o valor implementado no preço dos ingressos confronta a realidade socioeconômica brasileira, impossibilitando comunidades carentes de ter acesso a obras da sétima arte.

É evidente, portanto, que ainda há entrave para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Economia deve disponibilizar verbas para a construção de salas de cinema em regiões afastadas e com preços acessíveis a todas as classes sociais, promovendo uma democratização generalizada nos lançamentos cinemáticos. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate a desigualdade pautada na democratização do cinema no Brasil, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão