ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 19/05/2021

Em “Tapete Vermelho”, obra cinematográfica de Luís Alberto Pereira, Joaquim Silva empreende uma viagem para mostrar ao filho a riqueza do cinema nacional, mas é traído e encarcerado pelas adversidades da vida urbana. Embora fictícia, a história retrata, nos dias atuais, a grave dificuldade na democratização do acesso ao cinema brasileiro para com as fontes interioranas e periféricas. Por, conseqüência, exclusão, ocasionada pela falta de investimentos governamentais, causa a privação de direitos - acesso à informação e lazer - e reforça o segregacionismo econômico que persegue e marginaliza as sociedades mais carentes.

Sob esse viés, cabe analisar, a princípio, os elementos que dificultam uma ampla democratização de salas de cinemas no território brasileiro. Nessa perspectiva, percebe-se a ablepsia governamental, em relação à flexibilização de normas para a atração de investimentos cinematográficos nas cidades, a alta taxa de impostos e a burocracia exacerbada impossibilitam a construção civilizada, e, até mesmo, de possíveis parcerias público-privadas propostas pelo Estado. Em 2018, por exemplo, 39,9% da população vivia em municípios sem, ao menos, um cinema, segundo dados do IBGE. Como consequência, há a impossibilidade de acesso à informação e ao lazer - proporcionados pelas salas de cinema - em municípios que, intrinsecamente, esses direitos tipificados pelos artigos 5 ° e 6 ° da Constituição Federal.

Ademais, cabe problematizar, também, os fatores sociais relacionados a não democratização do cinema nas áreas mais longas do Brasil. Para Gabriel Vinícius de Souza, pesquisador do núcleo de sociologia da UNAERP, uma estrutura do cinema nacional é elitista, pois há uma escassez de salas nas regiões mais remotas e, além disso, os preços de filmes e produções cinematográficas não condizem com a econômica do país. Infere-se, portanto, que o acesso ao cinema brasileiro não é democratizado, mas sim segregacionista e seletivo, privilegiando, exclusivamente, as camadas mais ricas da sociedade, mostrando, em tese, a obsolescência das práticas de pulverização da arte e da cultura para com as zonas periféricas e cidades interioranas.

Destarte, a não democratização do acesso ao cinema está relacionada a negligência governamental, ocasionando a privação de direitos e o segregacionismo econômico. Logo, um Ancine - órgão regulador de produções cinematográficas - e o Ministério da Infraestrutura devem diminuir impostos e criar subsídios às empresas privadas, para promover a construção de cinemas nas áreas mais carentes e longínquas do país. A fim de, proporcionar a integralidade do direito ao lazer e retroceder o segregacionismo cinematográfico no território nacional.