ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 28/05/2021
No filme chamado `` Cinema Paradiso ́ ́, Toto tem sua infância construída ao meio de telas de cinema que acaba mudando totalmente suas relações com o mundo. Contudo, quando já adulto, se depara com a retirada do cinema que marcou tanto sua vida para dar espaço a uma construção. Mais do que uma obra, seu diretor deixa a mensagem de como as telas têm um caráter importante na construção dos hóspedes, à medida que os mesmos enfrentam uma esses ambientes. Fora da ficção, esse quadro exposto não se distancia da realidade nacional, a qual o acesso ao cinema tem se tornado difícil e, portanto, menos democrático. Isso ocorre em função dessas oficinas terem se tornado mercantilizadas e por consequência, menos distribuídas no contexto brasileiro.
No aspecto econômico, como telas de cinema devidas como uma mercadoria para uma sociedade capitalista. Sendo assim, é o filósofo Theodor Adorno que chama atenção para esse paradoxo com seu conceito de Indústria Cultural´´, pois o autor teoriza que grande parcela da arte deixou de ser um instrumento artístico, tornando-se apenas um meio de se fazer capital. De forma análoga ao filósofo, os cinemas têm essa mesma cooptação, reproduzindo apenas formas de se ganhar dinheiro. Sob esse viés, as salas cinematográficas concentradas em ambientes como os Shopping Center´´, ilustram essa situação, justamente por serem locais onde o ato de gastar é dito como primordial. Desse modo, o processo de centralização bem cultural acaba tornando-os fins lucrativos sem exercer seu trabalho artístico.
Por consequência, essa concentração acaba gerando uma má distribuição. Nesse sentido, dados levantados pelo site Meio e Mensagem, trazem uma contribuição, alegando que cerca de 83% da população brasileira não frequenta os cinemas. Ou seja, o público alvo é minoria, resultando na exclusão dos mais afastados desses centros, já que pelo fato de áreas como interioranas - em razão de uma baixa densidade demográfica ou até mesmo um pequeno status social- o objetivo de ganhar lucro não é atingido e logo, essas áreas não são concebidas com os cinemas. Dessa maneira, uma falha distributiva afasta da vida de muitos índividuos seu papel transformador.
Portanto, para garantir uma democratização do acesso ao cinema no Brasil é necessária uma ação que atue no âmbito da distribuição. Dito isso, cabe ao Ministério da Cidadania, promover por meio de mapeamento regional, uma identificação de salas de ausências de telas e conceber de cinemas de acordo com a quantidade de procura da área, com o intuito de ampliar esses espaços e deixar-los menos concentrados. De forma que esses ambientes possam exercer seu trabalho artístico ao mesmo tempo em que consiga abarcar realidades distantes a fim de transforma-lás como aconteceu com Toto.