ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 15/06/2021
“A ignorância nunca resolve uma questão’’. A afirmação atribuída ao ex-primeiro-ministro inglês Benjamin Disraeli pode ser facilmente aplicada à questão da democratização do acesso ao cinema no Brasil, já que a incapacidade das pessoas em analisar essa situação, de forma racional e crítica, solidifica a escassez de medidas para o seu desenvolvimento. Indubitavelmente, percebe-se que esse cenário é advindo da negligência estatal no que se refere a criação de políticas públicas que estimulem essa prática. Com isso, não só a não abordagem dessa temática na rede escolar como também os diferentes níveis de infraestrutura nas regiões do país atuam agravando o quadro geral.
A princípio, vale destacar que ao não apresentar nas escolas a discussão sobre a importância de fazer com que todas as pessoas tenham acesso ao cinema, o sistema de educação ineficiente atua como um dos principais fatores que corroboram a persistência desse impasse. Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele. Logo, as instituições de ensino devem exercer o seu papel de agentes educadoras de modo a estimular o pensamento de seus estudantes para reivindicarem o seu direito de acesso a cultura e lazer como é previsto por lei.
Outrossim, convém enfatizar a necessidade de minimizar as diferenças nos níveis de infraestrutura em todas a regiões do país. Por analogia, é possível inferir que a fala do geógrafo brasileiro Milton Santos exemplifica essa situação, para ele “existem diversos mundos no mundo”. Tal leitura evidencia os riscos envolvidos em análises generalistas. Sendo assim, é perceptível que as diferenças socioeconômicas entre as regiões do país são tão grandes que ocasionam desníveis no que se refere a oportunidades de utilizar tais meios, uma vez que empresas responsáveis por esses serviços optam por se concentrar em grandes cidades devido a maior chance de se obter lucro.
Por consequência, políticas públicas devem ser elaboradas para solucionar essa questão. Desse modo, compete ao MEC (Ministério da Educação) – órgão responsável por políticas educacionais – garantir que questões sobre a importância da democratização do acesso à cultura – principalmente no viés cinematográfico – sejam debatidas na rede de ensino por intermédio da criação de campanhas e projetos que elucidem essa temática a fim de ensinar aos estudantes seus direitos e deveres na sociedade. Além disso, cabe ao Governo Federal fazer com que as diferenças de infraestrutura entre os estados e cidades brasileiras sejam erradicadas por meio da criação de auxílio financeiro para os lugares mais necessitados a fim de alcançar isonomia entre as regiões. Assim, deixar a ignorância de lado como proposto por Disraeli, fará com que a problemática exposta seja intermediada no Brasil.