ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 27/06/2021
Desde os primórdios, o homem já tinha o seu lado artístico ao expressar o seu cotidiano, com pinturas feitas a partir do sangue de animais, nas paredes das cavernas. À vista disso, assim como o homem evoluiu, sua forma de se expressar também passou por várias transformações, como a criação do cinema. Entretanto, a elitização da 7ª arte é uma realidade e tem origens na falta de planejamento urbano das cidades brasileiras, assim como o aumento da popularidade de plataformas online.
Diante desse cenário, vale destacar que a forma como as cidades foram crescendo reflete, diretamente, na dificuldade de se frequentar um cinema. Nesse viés, quando Getúlio Vargas começou o processo de industrialização do país, não houve um planejamento para incluir todas as classes sociais, o que, com o segundo grande êxodo rural, proveniente da Revolução Verde, a exclusão dos mais pobres ficou ainda mais evidente. Dessa maneira, ao se observar as grandes cidades do país, percebe-se que o centro, geralmente, tem os meios de lazer garantidos, já a periferia, ocupada pelas pessoas mais pobres, não tem a mesma atenção governamental. Logo, para essa camada social se deslocar aos núcleos urbanos, tem que gastar um dinheiro, que, muitas vezes, nem o tem, o que dificulta bastante o acesso ao cinema. Assim, é necessário que o Estado não se mostre indiferente a essa difícil situação.
Ademais, é importante salientar que o avanço tecnológico possibilitou com que as pessoas não precisem sair de casa para usufruir de uma obra artística. Sob esse ângulo, consoante o sociólogo Walter Benjamim — estudioso da Escola de Frankfurt — o cinema é uma arte inclusa, popular, que leva cultura e conhecimento às classes que antes não tinham acesso à arte. Sendo assim, com o passar dos anos, a popularidade do cinema caiu por inúmeros motivos, inclusive, por conta da chegada das plataformas de streaming, que possibilitam o usuário assistir a qualquer filme ou série na sua própria casa. No entanto, apesar dos grandes e óbvios benefícios que tal avanço proporcionou, o ato de se frequentar o cinema — que gera uma sensação única — é cada vez mais esquecido. Com isso, é importante que a cultura de se frequentar o cinema, com sua vasta singularidade, não seja esquecida.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, com a Agência Nacional do Cinema, crie projetos pedagógicos que garantam o contato dos alunos da periferia com a 7ª arte, por meio de passeios nos finais de semana para assistir filmes inéditos. Nessa perspectiva, tais projetos têm a finalidade de ampliar o conhecimento e aumentar o repertório sociocultural dos estudantes para estimulá-los aos debates sobre causas sociais, como a segregação socioespacial, assim como ajudá-los a desenvolver um senso crítico de maneira divertida. Dessa forma, espera-se democratizar o acesso ao cinema no Brasil.