ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 01/07/2021
O cinema sofreu os efeitos da ressignificação artística do século XX que fixou a crítica como objetivo da arte. A partir desta data, os artistas rompem com a longa tradição estética e desviam sua atenção para o significado, ou a mensagem. Assim, a elitização do cinema é problemática em duas frentes: a repressão das classes mais baixas e a alienação crítica.
Em primeiro plano, tem-se a noção de que a democratização do cinema possibilita a canalização da energia vital em uma representação estética. Desta maneira, uma vez que as classes trabalhadoras são excluídas do contato com a arte, estas passam a reprimir sua energia ao invés de sublimá-la em algo produtivo. Consequentemente, a hipótese freudiana e marxista da “sociedade repressora” se concretiza.
Na segunda frente, é notável que a privação artística afeta diretamente o senso crítico popular. Dado que a arte contemporânea tem a interpretação como um produto principal, esta é de extrema importância para a formação intelectual de uma população. Como resultado, o atual estado do acesso ao cinema no Brasil vai na contramão de um projeto moderno de tornar-se sujeito por meio da razão.
Diante deste panorama, é plausível que o Governo Federal estimule economicamente a produção cultural pelo uso de um “vale-cultura” individual a ser gasto no consumo de arte, incluindo o cinema. Tal proposta criaria um mercado artístico a ser explorado em todas as classes sociais. Finalmente, o contato com expressões culturais dará ao povo brasileiro a possibilidade de pensar criticamente e canalizar suas energias em algo a ser apreciado por todos.