ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/07/2021
O cinema fora o principal instrumento de propaganda política dos regimes nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, a fim de acentuar a adesão popular ao regime, estes exibiam longas-metragens pró-nazistas gratuitamente à população alemã. Entretanto, horridamente no Brasil, o acesso ao cinema não é conveniente ao corpo social de forma igualitária, uma vez que somente parte privilegiada da população possui acesso, por consequência da sua localização urbanizada e o seu alto custo, em detrimento da cultura nacional. Destarte, elucida-se a necessidade de promover a democratização do acesso ao cinema à população verde-amarela.
Primeiramente, apesar do acesso à cultura e o lazer estar contemplado na Constituição Federal de 1988, como direito de todos os cidadãos, este não é cumprido efetivamente por consequência de diversos fatores. Sob essa ótica, a ideologia de que a produção cinematográfica é destinada à elite corrobora com a exclusão da população de menor renda per capita, como evidenciado por Michel Foucault, filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção, os quais aumentam a subordinação. Dessa forma, discursos hegemônicos auxiliam na crença de que o cinema deve ser acessado apenas pela elite, o que, além de incoerente com o princípio evidenciado na Constituição, priva parte do tecido social de apreciar a cultura nacional.
Outrossim, as salas de teledramaturgia estão concentradas em regiões que acomodam classes mais altas e grandes centros urbanos, e assim, excluem populações inteiras, principalmente indivíduos localizados no Norte e Nordeste, periferias urbanas e cidades interiores, de acordo com a Ancine, Agência Nacional de Cinema. Além do fator da localidade, o custo abusivo dos ingressos, determinado pelas empresas privadas proprietárias de salas de cinema, acentua a inviabilização do acesso ao cinema pela população de classes inferiores, e torna este um evento esporádico e até intangível à parte da população. Assim, o lazer e acesso à cultura é mitigado em prol do lucro de empresas privadas que controlam os custos e a localização das salas de cinema, o que faz a democratização ser inviável.
Portanto, a fim de reverter a problemática, o Estado em parceria com a Ancine, deve viabilizar o acesso ao cinema, por meio da redução do custo dos ingressos, coerente a renda per capita de cada região do país, a fim de mitigar a elitização perante o cinema e a mediação do acesso ao lazer por quanto o indivíduo pode pagar. Paralelamente a essas medidas, o Estado deve também erradicar com a ideologia hegemônica de que o cinema não é destinado a classes inferiores, por intermédio de propagandas de ampla abrangência que destaquem a importância deste e que o lazer é direito de toda a população ver-amarela. Desse modo, a Constituição de 1988 pode ser efetivamente cumprida.