ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/07/2021

O cinema surgiu no final do século XIX, encontrando sua apoteose no século XX, nos Estados Unidos e, a partir daí, tem se concretizado como um dos produtos culturais mais influentes em todo o mundo. Nesse sentido, embora o acesso ao cinema seja de suma importância na consolidação do direito à cultura, o Brasil ainda enfrenta desafios para estender esse acesso de maneira democrática para todos. Dessa forma, medidas são necessárias para amenizar essa problemática.

Em primeiro lugar, é fundamental entender a importância de garantir que o cinema tenha um alcance mais plural no país. Assim, o cinema, antes de tudo, é uma manifestação artística e cultural, bem a que o cidadão brasileiro tem direito por lei, segundo a Constituição Federal. Ainda mais importante, o cinema é herdeiro do teatro, arte que, segundo Aristóteles no seu livro Poética, tem o poder de catalisar a empatia nas pessoas, fazendo com que o público se identifique emocionalmente com a obra. Portanto, o cinema, como bem cultural, não é só um direito do povo, mas um meio pelo qual o povo pode aperfeiçoar sua capacidade empática, experimentando sentimentos e emoções compartilhados por toda a sociedade.

Em segundo lugar, no entanto, é indispensável compreender como alguns desafios ainda impedem a plena democratização do acesso ao cinema no país. Um desses obstáculos é o fato de a construção de um espaço reservado para exibição de filmes ter um custo muito elevado e por isso é normalmente reservado em instalações de shoppings. Assim, a empresa que arca com os custos inevitavelmente tem de praticar preços inacessíveis para boa parte das pessoas, e o próprio espaço elitizado de shoppings já exerce uma exclusão de pessoas de baixa renda, tornando o cinema um espaço em que elas não são bem vindas. Dessa forma, até o status de elitização do cinema corrobora a visão aristotélica de empatia. O espaço do cinema acaba sendo destinado apenas para pessoas com renda média e alta, e, assim, elas compartilham um espaço entre si com baixa possibilidade de conviver com pessoas de baixa renda, dificultando o exercício tão importante da alteridade entre classes, aumentando, assim, a hostilização entre camadas da sociedade.

A partir dessa discussão, fica claro que o Governo Federal deve subsidiar a construção de espaços de cinema e a disponibilização de ingressos populares com o objetivo de ampliar o acesso a esse bem cultural no Brasil. Isso pode ser feito por meio do aperfeiçoamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura já existente, a Lei Rouanet, através da qual os proponentes poderão aprovar seu projeto com patrocínio de empresas interessadas a uma renúncia fiscal de até 8%, dobrando o valor atual de 4%. Esse novo modelo incentivará ainda mais a popularização do cinema e a redução do preço dos ingressos.