ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 14/07/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o Estado deve garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes de cultura nacional, além de apoiar e incentivar a valorização e difusão das manifestações culturais. No entanto, o que se encontra na prática é um cenário totalmente divergente daquele garantido por lei, principalmente no que diz respeito ao acesso às salas de cinema no Brasil, prática totalmente restrita a uma pequena parcela da população. Nesse sentido, dois importantes aspectos se destacam: a concentração das salas de cinema nos grandes centros urbanos e a importância de garantir a acessibilidade à arte para todos, já essa tem forte influência no entendimento geral sobre o mundo.

Primeiramente, é indubitável que a maioria dos centros cinematográficos se localizam nas grandes cidades, cenário que prejudica a difusão do cinema no país. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Cinema (ANCINE), mais de 90% das cidades brasileiras não possuem uma única sala de cinema, além das 10%, que possuem, se situarem em larga escala na região Sudeste. Portanto, evidencia-se a necessidade de políticas que auxiliem a distribuição dos cinemas por todo o território brasileiro, garantindo assim a democratização da cultura artística.

Outrossim, urge citar a importância da arte como ferramenta de entendimento da sociedade e seus costumes. Nesse prisma, cabe elencar a visão de Aristóteles sobre o tema, que trazia a arte como uma “Mimésis” da realidade, ou seja, sempre se apresentando com uma imitação do mundo real, fato que atribui às manifestações artísticas uma proêminencia como instrumento para se chegar a uma compreensão sobre o mundo e a vida em sociedade. Assim, explicita-se o quão importante é assegurar a acessibilidade à arte e cultura para todos os indivíduos, uma vez que a mesma possui uma gigantesca função social.

Perante o exposto, torna-se notório como a má difusão das salas de cinema prejudica o acesso à essas, pela população residente de áreas periféricas e isso, por sua vez, apresenta-se como um problema social, já que esses indivíduos não terão acesso à retratos da realidade. Para democratizar o acesso à cultura cinematográfica, o Ministério da Cultura deve, por meio de parcerias público-privadas, aumentar as isenções de impostos na construção de cinemas nas áreas mais periféricas do país, pois dessa maneira a população que habita as áreas afastadas dos grandes centros também poderá consumir arte e cultura em larga escala. Somente dessa maneira, será possível cumprir a Constituição Federal na íntegra e garantir a acessibilidade à tão importante, como dito por Aristóteles, arte.