ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 20/07/2021
Na tese “Cidadão de Papel” do jornalista Gilberto Dimenstein, o termo é definido como o indivíduo que, mesmo detendo seus direitos constitucionais, não os usufrui devido à negligência dos órgãos governamentais e / ou desinformação populacional. Paralelamente, a concepção de Dimenstein pode ser observada no Brasil hodierno à medida que, a ineficiência do Estado associada a uma cultura de aceitação da população não que tange à democratização do acesso ao cinema no país, restringe a cidadania da parcela popular alheia á sétima arte .
Primeiramente, é importante destacar que, a baixa atuação do eixo governante nacional no acesso democrático ao cinema, vai de contrapartida à Constituição Federal de 1988 que permite o acesso à cultura como inerente ao brasileiro. De acordo com o geógrafo Milton Santos no livro “Cidadanias Multiladas”, a democratização só é efetiva quando abranje a totalidade do “corpo social”, ou seja, quando como garantias vigentes nela atinge todos. Por essa lógica, ao observar que, de acordo com informacões estatais, menos de um quinto da população brasileira possuí acesso à salas cinematográficas, evidencia-se um déficit no “Corpo Social”, visto que a pluralização do cinema em território nacional ainda é um processo utópico.
Ademais, é fulcral pontuar que, o ensino tecnicista brasileiro no qual o senso crítico não é estimulado, corrobora na conformidade da sociedade com as mazelas sociais. Na obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação nacional, Paulo Freire, tal apontamento pode ser compreendido à medida que o educador destaca a importância de formentar, além do conhecimento técnico-científico, habilidades socioemocionais para construção de um cidadão crítico. Nesse sentido, como escolas, ao marginalizarem o desencolvimento social dos alunos, contribuir com o baixo acesso da população, sobretudo nos cinemas, uma vez que o cidadão, ao não ter consciência dos seus direitos, se conforma com a realidade na qual está inserido.
Portanto, Cabe ao Governo Federal, por meio de um projeto público, implementar salas de cinemas em locais que não as possuem, como periferias e regiões economicamente desfavorecidas, com valores acessíveis a todos no intuito de garantir o acesso democrático ao cinema. Além disso, é dever do Ministério da Educação, através de profissionais capacitados, promover, palestras sobre os direitos do cidadão a fim de elucidar os estudantes sobre suas garantias.