ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 26/07/2021
Aristóteles, grande pensador da antiguidade, alegava a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a cultura e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Diante disso, destaca-se a importância do cinema como ferramenta para construção de uma sociedade mais culta. No entanto, no país vigoram obstáculos que impedem a democratização do acesso ao cinema, centrados na elitização das salas de cinema e à concepção cultural de que a arte é direcionada aos mais favorecidos economicamente.
Em primeiro lugar, é lícito evidenciar a centralização dos centros culturais, visto que grande parte desses se encontram em locais com indivíduos de maior poder econômico. Em vista disso, somente 17% da população brasileira frequenta o cinema. Isso se deve historicamente ao processo de formação da infraestrutura do Brasil, que se deu de maneira desigual, no qual sempre foram privilegiadas áreas com indivíduos de maior “prestígio” social, isto é, de maior detenção de bens, isso contribuiu para que houvesse a desigualdade de distribuição de centros culturais, como o cinema, no país, resultando na exclusão de localidades menos favorecidas. Desse modo, são necessárias ações que visem aprimorar o acesso a esses espaços.
Outrossim, é imperativo destacar a concepção cultural de que a arte não abrange pessoas de baixa renda como um dos fatores que valida a persistência da problemática. Com base nisso, o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, ilustra o triste cotidiano que uma família em condição de miserabilidade vive, e, assim, mostra como o acesso a centros culturais é uma perspectiva distante de sua realidade, não necessariamente pela distância física, mas pela ideia de pertencimento a esses espaços. Diante disso, pode-se constatar que a segregação desse espaço cultural se deu não só de maneira física, mas também de modo ideológico, resultando na autoexclusão dos menos favorecidos por acreditarem não pertencer a estes lugares. Assim, fazem-se necessárias tomar medidas que incluam os menos favorecidos em ambientes culturais.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de coibir o problema discorrido. Assim, faz-se necessária a ação do Estado destinando verba orçamental para a construção de salas de cinema de baixo custo ou gratuitas em áreas periféricas do país, de modo a descentralizar o acesso à arte. Paralelo a isso, cabe as instituições de ensino promover visitas periódicas a cinemas locais, mediante autorização e contribuição dos responsáveis, para que estes espaços façam parte da realidade dos jovens e crianças do país, de modo a desconstruir a ideia de elitização da cultura, sobretudo em regiões carentes. Feito isso, o Brasil poderá caminhar para a completude da democracia do acesso ao cinema.