ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 27/07/2021

Segundo o filósofo grego Aristóteles, a arte é fundamental para a formação do indivíduo e a plenitude da democracia. O Brasil, porém, ignora os ideais do pensador ao manter o acesso ao cinema restrito a apenas algumas parcelas da população, em especial as das áreas mais ricas de regiões metropolitanas, o que engendra e reproduz a desigualdade social.

Em primeiro lugar, percebe-se a preferência das empresas por metrópoles em relação ao interior e periferias. Isso ocorre em virtude de sua aversão intrínseca às áreas mais pobres, chamadas zonas de repulsão, de acordo com o geógrafo Milton Santos. Para o estudioso, a falta de infraestrutura e clientela nesses locais afastam os empresários, que buscam os polos de atração, onde o mercado é mais aquecido e o espaço mais adequado ao empreendedorismo. Esse fato explica por que os cinemas se encontram nas áreas de maior renda nas grandes cidades em detrimento das periferias e regiões do interior, o que cria um desequilibrio na distribuição cultural.

Por conseguinte, o acesso se concentra com os mais ricos, o que engendra e reproduz a desigualdade social. Ora, sob a ótica do sociólogo Pierre Bourdieu, a cultura é um bem imaterial acumulável que possibilita a ascensão de determinados indivíduos na sociedade de classes. Logo, ao transferir os cinemas às regiões mais abastadas, dificulta-se a obtensão, nos locais mais pobres, de capital cultural, o qual é gradualmente acumulado nas mãos dos grupos dominantes. Dessa forma, o acesso iníquo à arte perpetua a desigualdade.

Em suma, a democratização do cinema mostra-se imprescindível para a promoção da igualdade social. Isso deve ser realizado em três etapas: o Poder Executivo deve destinar uma verba especial aos pequenos municipios, visando a construções públicas, tais como ruas e praças que melhorarão o espaço e aquecerão o mercado ao gerar empregos. Em seguida, cabe ao cidadão local aproveitar a oportunidade para empreender e manter a movimentação da economia, o que tornará o ambiente mais atrativo. Por fim, as prefeituras municipais devem conceder incentivos fiscais às empresas cinematográficas que decidirem se instalar em tais áreas, o que tornará o ambiente ainda mais propício ao entretenimento. Dessa forma, o Brasil se aproximará dos ideais aristotélicos, com a minimização da desigualdade de acesso ao cinema.