ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 08/08/2021

Lima Barreto, em seu livro “Os Bruzundangas”, criticou vários aspectos do Brasil na primeira metade do século XX, mormente no que tangia às mazelas sociais. Contudo, apesar do tempo decorrido desde a publicação da obra, ainda hoje se faz necessário apontar e discutir inúmeros problemas que subsistem no país, destacando-se, por certo, a problemática da desigualdade ao acesso do cinema no Brasil, a qual ocorre, infelizmente, em razão da negligência governamental e da sociedade.

Em primeira análise, nota-se que a Constituição Cidadã de 1988 assegura a todo brasileiro o direito à cultura e lazer. Entretanto, esse direito não é efetivado. Isso é explicitavo na medida em que, de acordo com dados de uma pesquisa realizada pela Ancine, a relação de salas de cinema por habitantes vêm diminuindo desde o ano de 1975, tendo as regiões Norte e Nordeste do país como as mais afetadas. Em vista disso, cabe lembrar das ideias do filósofo John Locke, o qual dizia que o indivíduo, por ter sua relação com o Estado baseada na confiança mútua, pode, sempre que essa confiança for rompida - como no desrespeito supracitado à Carta Magna -, rebelar-se e reivindicar seus direitos. Dessarte, é dever do cidadão exigir o cumprimento da lei maior.

Em segunda instância, a própria sociedade é responsável pela manutenção desse problema. Tristemente, a população não acompanha o retorno do interesse cinematográfico de forma eficiente, focando seus investimentos nas metrópoles e abandonando áreas que demonstram muito interesse: regiões rurais ou cidades menos desenvolvidas. Por conta disso, diversas pessoas são prejudicadas e forçadas à recorrer pelas TV’s caso queiram acompanhar o interesse em filmes. Todavia, segundo o pedagogo francês Célestin Freinnet, é possível superar qualquer pensamento errôneo já estabelecido em uma sociedade, bastando, para isso, o desejo de mudança dos agentes sociais. Portanto, uma mudança nos valores do corpo social é fundamental para mitigar as dificuldades do acesso ao cinema no Brasil.

Diante dos fatos citados, é fulcral que o Estado, por meio de uma parceria entre o Ministério do Turismo com organizações não governamentais, crie um projeto a ser desenvolvido em cidades mais remotas, com o intuito de levantar fundos para a construção de cinemas e teatros, a fim de melhor difundir o acesso cultural aos brasileiros e melhorar a qualidade de vida destes. Além disso, promova palestras e atividades lúdicas nas escolas com o intuito de estimular a frequência em ambientes culturais. Se assim for feito, o Brasil estará um passo mais próximo de deixar de ser o país que Lima Barreto criticava, para tornar-se um país desenvolvido de fato.