ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/08/2021
A Constituição brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito ao lazer como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a fraca democratização do acesso ao cinema no Brasil, dificultando, assim, a universalização desse direito social tão importante. Em vista disso, cabe analisar os fatores que favorecem esse quadro a fim de intervir positivamente sobre a questão.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o problema. Em suma, despreocupados quanto à disponibilidade de opções recreativas diversas à população, alguns governos municipais não estimulam a construção de cinemas nas respectivas cidades, dificultando, assim, a democratização do acesso a tais ambientes. Essa conjuntura, segundo as ideias de filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de um direito tão indispensável como o lazer.
Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como impulsionadora do impasse no Brasil. De acordo com o coeficiente de Gini, desenvolvido pelo estatístico italiano Conrado Gini, o Brasil figura entre os dez países com pior distribuição de renda no mundo. Por conseguinte, devido à pobreza de grandiosa parte da população e ao aumento nos preços dos ingressos, o acesso às casas de cinema é limitado a uma pequena parcela de maior poder aquisitivo. Portanto, é injusto que esse cenário nacional perdure.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, faz-se imprescindível que as prefeituras disponibilizem a experiência cinematográfica à população menos abastada, por meio da realização de eventos de exibição em áreas periféricas, os quais devem fornecer progamações nacionais e estrangeiras a custos reduzidos, com o intuito de desconstruir a elitização cultural em virtude de disparidades socieconômicas. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.