ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 17/08/2021
De acordo com o sociólogo Thomas Marshall, cidadania deve ser entendida como ampliação de direitos. Nessa perspectiva, o artigo 215 da Constituição Federal de 1988 estabelece os direitos culturais, que são entendidos como constituinte dos direitos humanos. Contudo, o acesso ao cinema, um dos direitos culturais, não está sendo democratizado por causa de investimentos desiguais por parte do Estado e pela mercantilização das produções cinematográficas.
Primeiramente, é válido ressaltar que o acesso ao cinema é dificultado pela ausência de investimentos do Estado na popularização da sétima arte. Conforme dados do ANCINE, cerca de 60% das salas de cinema estão concentradas nas regiões Sudeste e Sul. Isso privilegia algumas classes sociais de melhor poder aquisitivo, restringindo assim a democratização do capital cultural.
Em segunda análise, observa-se que as produções cinematográficas passaram a seguir a lógica instrumental capitalista. Nesse sentido, o filósofo Adorno faz reflexões de que a indústria cultural, na qual o cinema está inserido, não busca uma reflexão crítica do espectador, porque o seu objetivo é gerar lucros e homogeneizar as subjetividades. Isso pode ser visto no alto custo dos bilhetes, bem como nas narrativas de heróis, as quais arrecadam bilhões e é a preferência de adolescentes de classe média.
Portanto, para que os direitos culturais, especificamente a democratização do acesso ao cinema seja garantido, é necessário que os governos municipais, realizem exibições em praças públicas, espaços esses de manifestações democráticas, de filmes que reflitam criticamente a realidade brasileira como, por exemplo, aqueles do “Cinema Novo”, com o objetivo de gerar debates, exercer o pensamento crítico e ampliar o capital cultural da população. Assim, a cidadania será ampliada e a democratização à sétima arte garantida.