ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 25/09/2021
No início do longa “O Auto da Compadecida”, nos é mostrado uma parcela da população de uma pequena cidade assistindo a um filme. Emocionados com algumas cenas, percebemos logo de cara a importância do cinema como elo entre a sociedade e a cultura. De forma análoga à ficção, a democratização do acesso ao cinema tem se configurada como uma grave problemática, em virtude da negligência estatal e da má distribuição de salas. Primordialmente, faz-se imprescindível mencionar o fato de que a inércia governamental está diretamente relacionada à tal óbice. Na Constituição Federativa de 1988, é garantido pela legislação o direito ao lazer, todavia, mais de ¾ dos brasileiros não frequentam o cinema. Geralmente, isso ocorre em função da escassez de interferências do Estado que possibilitariam a criação de tais espaços em cidades pouco desenvolvidas. Logo, infere-se que as populações mais carentes acabam tendo seus próprios direitos negligenciados. Em segunda instância, é de extrema importância debater a deficiência no sistema de divisão das salas ao longo dos anos. Em decorrência do processo de urbanização e da polarização das indústrias nas capitais, os cidadãos de pequenos munícipios enfrentam diversas dificuldades ao tentar assistir um filme nas “telonas”. Ao se depararem com os preços das passagens ou com o longo tempo de locomoção até as metrópoles, onde está a maioria das salas, essas pessoas tendem a desistir da realização desse sonho. Fica claro, portanto, que a concentração de cines em grandes cidades dificulta a resolução da questão. Em síntese, o Ministério da Cidadania, fomentador de políticas de desenvolvimento social, deve criar políticas públicas voltadas para a exibição de filmes e documentários em escolas. Tal ação pode ser concretizada por meio de programas comunitários, para que, então, os brasileiros possam usufruir dos benefícios sociais e culturais que o cinema pode oferecer.