ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 25/08/2021

A falta de investimentos no setor cultural e o acesso minoritário ao cinema

Conforme a sua evolução, o homem sempre buscou novas maneiras de expressar seus sentimentos e formas de ver o mundo, seja por meio da linguagem verbalizada ou não verbal. Assim, no século XIX, com o surgimento do cinema, o mundo conheceu uma outra forma de perceber a sociedade ao seu entorno e passou a enxergar as diferentes culturas que a compõem. No entanto, no Brasil, mesmo após tanto tempo, ainda há muita desigualdade no acesso ao cinema, agravada principalmente devido à falta de investimentos na área voltados às regiões mais carentes, e uma maior presença da indústria cinematográfica em lugares onde há maiores vantagens financeiras para seu desenvolvimento.

Segundo a Constituição brasileira atual, o acesso ao lazer é um direito social da população. Porém, nem todos os cidadãos do país conseguem frequentar cinemas e outras atividades culturais, pois ainda faltam investimentos nesse setor que atinjam as populações menos favorecidas no Brasil. Tendo em vista que as produções audiovisuais têm papel fundamental na formação da cultura de um povo, é mister salientar que as desigualdades do alcance ao lazer geram também diferenças culturais e intelectuais na população, que podem ser refletidas nos níveis educacionais. Dessa forma, se não houver o pleno acesso a esse direito na sociedade, poderão surgir outros problemas, como as desigualdades na educação, e, assim, o país continuará negligenciando o acesso do seu povo à cultura.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as regiões que possuem menos investimentos na cultura são aquelas mais carentes, como o Norte e o Nordeste, e as periferias urbanas. Sendo assim, os lugares que possuem maior acesso a cinemas são os mais desenvolvidos, onde há a certeza de lucro e desenvolvimento da indústria cultural. Dessa maneira, como defendiam os filósofos Adorno e Horkheimer, essas empresas aproveitam-se da cultura audiovisual para gerar lucros por meio da sua instalação em regiões onde as pessoas têm recursos para custear esse acesso. Assim, infelizmente, o lazer, que deveria ser de livre alcance de todos, torna-se um direito para poucos.

Portanto, fica evidente a necessidade da criação de projetos visando o desenvolvimento gradual de oficinas em todas as cidades brasileiras, que realizem semanalmente sessões com filmes selecionados conforme a faixa etária do público em escolas e instituições públicas dos municípios. Logo, sob o regimento dos governos estaduais e em parceria com o Ministério da Cultura, aos poucos a maior parte da população possuiria livre acesso ao cinema e à cultura, e mais um passo seria dado em direção à igualdade de direitos pela qual o Brasil luta há tanto tempo. Assim, como dizia o sociólogo Herbert de Souza, “Um país não muda pela sua economia, política ou ciência, muda sim pela sua cultura”.