ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 06/09/2021
A falta de acesso ao cinema: uma arma apontada para o desenvolvimento
A Constituição Federal de 1988 – reguladora das ações do Estado – garante no Art° 6 o lazer como direito fundamental. No entanto, nem todos os cidadãos conseguem gozar plenamente desse direito devido à falta de acessibilidade ao cinema. Nesse contexto, vê-se como esse problema tem suas bases na construção histórica do país e no desinteresse governamental.
Em primeira análise, sabe-se que o Brasil emergiu da desigualdade. Sob esse viés, é cabível trazer a vinda da família real portuguesa que se instalou no Sudeste e trouxe consigo filósofos, artistas e intelectuais para a produção de bens culturais como teatros, bibliotecas e universidades. Esse crescimento centralizado, conseguinte à subalternização das outras regiões do país, perpetuou-se, evidenciando-se através da dificuldade de acesso ao cinema em regiões como o Norte e o Nordeste. Dessa forma, percebe-se o quanto a questão histórica contribuiu para impedir o acesso a filmes.
Ademais, salienta-se que não há interesse do Governo em promover o acesso desse bem a todos. Segundo o filósofo Byung Chul Han, vive-se em uma sociedade que está sempre em busca do alto rendimento nas relações, na vida e no trabalho. De acordo com essa ótica, tudo aquilo que é tido como pouco produtivo, é indigno de investimento. A Ancine, por meio de matéria publicada em 2019, as favelas e cidades pequenas – as áreas mais marginalizadas do país e com menor expressividade no PIB – são quem mais sofre com a dificuldade de acesso ao cinema. Nesse panorama, é inegável o desinteresse governamental no investimento da democratização de tal expressão artística.
É mister, portanto, que o Estado tome medidas para a erradicação dessa problemática. Urge que o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Cultura, crie um programa que promova sessões de filme em estacionamentos, escolas e prefeituras, aberto a todo público e gratuito, a fim de garantir que não haja empecilhos para que todos acessem ao cinema. Só assim o direito explicitado no Art° 6 da Constituição será válido a todos.